Despedida de uma referência na aviação e nas redes sociais
Joselito Geraldo de Sousa, conhecido como Lito Sousa, faleceu aos 59 anos após enfrentar durante meses a Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma enfermidade neurodegenerativa rara e progressiva. O anúncio foi feito por sua esposa, Mila Seidl, que compartilhou uma mensagem comovente e um vídeo que reuniu momentos importantes da vida do casal nas redes sociais.
Lito nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, em 25 de janeiro de 1967. Piloto de avião e mecânico aeronáutico de formação, ele ganhou destaque por meio do canal “Aviões e Músicas” no YouTube, que conquistou 4,24 milhões de inscritos. Seu trabalho o tornou uma voz respeitada no meio da aviação, atraindo uma vasta audiência que acompanhava sua trajetória e suas análises técnicas.
O impacto da Doença de Creutzfeldt-Jakob e os cuidados necessários
A DCJ afeta o sistema nervoso central, provocando deterioração progressiva das funções motoras e cognitivas. Nos últimos meses, Lito recebeu tratamentos experimentais para tentar conter a evolução da doença, mas a ausência de cura fez com que ele passasse por diversas hospitalizações, sendo submetido a cuidados paliativos focados em aliviar sintomas e conservar sua qualidade de vida.
Em julho, ele foi internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, com inflamação no sistema nervoso central. Já apresentava perda de movimentos e dormência no braço esquerdo. O diagnóstico oficial da doença foi divulgado publicamente por sua esposa em 21 de agosto.
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Fonte: soudejuazeiro.com.br
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Fonte: agendapublica.com.br
Momento de lucidez para fortalecer os laços familiares
Apesar da rápida progressão da DCJ, uma “janela” de tempo permitiu que Lito mantivesse a cognição preservada, possibilitando que ele se comunicasse e planejasse momentos com a família. Mila relatou que ele optou por explicar sua condição ao filho do casal, Malone, de sete anos, e gravou mensagens para compartilhar sua experiência.
“Sua cabeça está tão íntegra que o médico orientou que ele aproveitasse essa janela, que a gente não sabe de quanto tempo é, para falar, para planejar, para aproveitar”, contou Mila.
Suporte do Ministério da Saúde e tentativas de tratamentos inovadores
A trajetória de Lito ganhou destaque nacional, levando o Ministério da Saúde a solicitar sua inclusão em estudos experimentais realizados nos Estados Unidos. O ministro Alexandre Padilha expressou apoio à busca por centros de pesquisa que pudessem oferecer alternativas terapêuticas, destacando a tentativa de participação na fase inicial do estudo clínico PRiSM, coordenado pela Universidade de Harvard, Instituto Broad e Universidade de Massachusetts.
O estudo investiga o uso de uma pequena molécula de RNA de interferência, o siRNA, com potencial para combater a DCJ. Contudo, a esposa de Lito explicou que, na época, os estudos não estavam aceitando novos participantes, dificultando a entrada do piloto. Ainda assim, a família persistiu na busca por possibilidades de tratamento experimental, mesmo diante das chances remotas.
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Fonte: belzontenews.com.br
Lito Sousa e sua serenidade frente à doença
Em vídeo divulgado pouco depois do diagnóstico, Lito falou com sinceridade sobre o avanço da doença e a procura por alternativas. Junto à esposa, expressou sua decisão de registrar seus sentimentos enquanto mantinha a lucidez, valorizando os momentos ao lado da família.
“Não tenho medo de morrer. Estou muito sossegado com isso. Eu fui extremamente feliz em tudo que eu fiz. Tudo que eu falei para essa mulher aqui: ‘Vamos fazer’, e ela veio me apoiar, e deu certo”, emocionou-se o piloto.
Legado e contribuições para a aviação civil
Além do impacto nas redes sociais, Lito fundou a Lito Academy, um centro de instrução em aviação em parceria com sua esposa, que também atua no setor. Casados desde 2016, o casal teve um filho e, em 2019, lançou o livro “Onde Morrem os Aviões”.
A luta contra a Doença de Creutzfeldt-Jakob evidenciou a necessidade de ampliar pesquisas e terapias para doenças raras. A experiência de Lito e sua família reforça a importância dos cuidados paliativos e do suporte familiar em quadros degenerativos, suscitando reflexões sobre o papel do sistema de saúde e da ciência para garantir mais opções e qualidade de vida aos pacientes.
