Disputa acirrada marca as eleições em Minas Gerais e Espírito Santo
Os eleitores de Minas Gerais enfrentam um domingo decisivo, 4, em meio a um cenário político instável e imprevisível. Apesar da instabilidade, as pesquisas indicam o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) como favorito desde o início do ano, embora ainda não seja possível afirmar se o pleito será definido já no primeiro turno.
No Espírito Santo, o embate pelo Executivo estadual concentra-se entre o governador Ricardo Ferraço (MDB) e o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos). Nesse contexto, a definição no primeiro turno dependerá do desempenho do deputado federal Helder Salomão (PT), que aparece em terceiro nas intenções de voto. As duas vagas ao Senado em ambos os estados também apresentam múltiplos candidatos competitivos.
Resiliência e hesitação marcam trajetória de Cleitinho na campanha
Cleitinho, líder nas pesquisas em Minas Gerais, transitou entre hesitações e confirmações durante a campanha. Em abril, negou rumores de desistência, alertando contra especulações falsas, inclusive no Dia da Mentira. Entretanto, voltou a demonstrar dúvidas ao afirmar não haver definição sobre sua candidatura.
Em maio, apoiou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, sem confirmar se disputaria o governo estadual ou apoiaria outro nome. Em julho, após a morte do irmão Matheus Azevedo, o senador se afastou da convenção estadual do Republicanos, gerando especulações sobre sua saída da disputa. O partido, por sua vez, criticou sua hesitação e negou a candidatura formal.
Apesar disso, Cleitinho manteve a pré-candidatura, anunciou desistência em agosto, mas retornou poucos dias depois confirmando sua participação. Mesmo com esse vaivém, as pesquisas não refletiram qualquer impacto negativo. Institutos como Quaest, Datafolha, Paraná Pesquisas e Real Time Big Data mantiveram o senador como favorito.
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Implicações políticas da indefinição de Cleitinho
A hesitação do senador repercutiu nos bastidores políticos, enfraquecendo articulações à direita. O PL buscou nomes como Nikolas Ferreira e tentou formar aliança com o governador Mateus Simões (PSD), que não avançou devido ao desempenho fraco nas pesquisas. Com a demora na definição de Cleitinho, o PL lançou a candidatura de Flávio Roscoe às vésperas do prazo legal.
Além disso, a indefinição abalou a base de apoio do governador Simões. Marcelo Aro, ex-secretário estadual, considerou concorrer ao governo, mas desistiu e optou pela disputa ao Senado.
Na esquerda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalhou para que o senador Rodrigo Pacheco fosse seu palanque em Minas. Pacheco deixou o PSD para o PSB, mas desistiu da candidatura ao governo. O PT tentou articular a candidatura de Marília Campos, que preferiu concorrer ao Senado. O deputado federal Patrus Ananias ganhou força e foi confirmado como candidato ao governo pelo PT.
Pesquisa destaca crescimento de Cleitinho e diversidade de apoio
Segundo pesquisa Quaest, Cleitinho ampliou sua intenção de voto de 29% para 37% entre agosto e setembro no cenário estimulado. O senador atraiu eleitores de diferentes espectros políticos, destacando-se entre bolsonaristas com 60% de preferência, 55% entre eleitores de direita não bolsonaristas, além de votos significativos à esquerda, incluindo 21% na esquerda não lulista e 24% entre lulistas. Esse posicionamento mostra sua capacidade de congregar apoios diversos, afastado da polarização presidencial tradicional.
Senado em Minas Gerais: empate e entrada tardia de Aécio Neves
Na disputa ao Senado em Minas Gerais, quatro candidatos se destacam em empate técnico: Domingos Sávio (PL) com 14%, Marília Campos com 13%, e Carlos Viana (PSD) e Aécio Neves (PSDB) com 12% cada, segundo pesquisa Quaest de 29 de setembro.
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Domingos Sávio teve crescimento expressivo desde o início da campanha, subindo de 6% para 14%. Embora sua base seja bolsonarista, ele ampliou apoio entre outros grupos políticos. Aécio Neves surpreendeu ao entrar na disputa no fim de agosto, substituindo as candidaturas de Marcelo Heringer (PDT) e Gustavo Galassi (PSDB). Mesmo com entrada tardia, Aécio vem mantendo crescimento constante nas pesquisas, oscilando entre 10% e 12%.
Espírito Santo: polarização e indefinição nas eleições
No Espírito Santo, a disputa pelo governo está concentrada entre Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini. Ferraço, que assumiu o Executivo após a renúncia do titular Renato Casagrande (PSB), lidera as pesquisas com 33%, contra 31% de Pazolini, enquanto Helder Salomão aparece com 12%. Uma simulação de segundo turno mostra empate técnico entre Ferraço (43%) e Pazolini (38%).
Renato Casagrande, que deixa o governo para concorrer ao Senado, lidera as intenções para uma das vagas, com 25%. A segunda vaga permanece indefinida, com cinco candidatos tecnicamente empatados: Sérgio Meneguelli (PSD), Fabiano Contarato (PT), Maguinha Malta (PL), Rose de Freitas (MDB) e Evair de Melo (Republicanos).
Meneguelli, ex-vereador e ex-prefeito de Colatina, exerce mandato de deputado estadual desde 2023. Contarato busca reeleição ao Senado após mandato iniciado em 2018. Rose de Freitas, que ocupou cadeira no Senado entre 2015 e 2023, tenta retornar ao cargo.
Próximos passos na eleição
A indefinição nas disputas ao governo e Senado em Minas Gerais e Espírito Santo indica que as campanhas seguirão em ritmo intenso até o fim da votação. As articulações partidárias e o desempenho dos candidatos nos próximos dias serão determinantes para o desfecho eleitoral, especialmente no que se refere à formação das bancadas estaduais no Senado e ao comando dos Executivos locais.
