Segunda etapa da vacinação contra a paralisia infantil em Minas Gerais
No próximo sábado, 20 de agosto, todo o Brasil participa da segunda fase da Campanha Nacional de Vacinação contra a Paralisia Infantil, com o lema “Vamos reforçar a vitória, Brasil”. Em Minas Gerais, serão distribuídas 2.500.000 doses da vacina Sabin em 7.340 postos de saúde, com o objetivo de imunizar todas as 1.739.578 crianças menores de cinco anos no estado. A coordenadora de Imunização da Secretaria de Estado de Saúde, Jandira Lemos, destaca que 27 mil profissionais e 2.250 veículos estarão envolvidos nesta etapa para garantir ampla cobertura.
O lançamento oficial da campanha em Belo Horizonte ocorrerá às 8 horas na Escola Municipal José dos Mares Guia, localizada na Rua dos Beneditinos, 180, no bairro Heliópolis. Além da vacinação, os pais poderão atualizar o cartão de vacinas dos filhos. Devido à extensão territorial de Minas Gerais, alguns municípios anteciparam o início da vacinação para o dia 15 de agosto, visando atingir toda a população infantil antes do prazo final.
Meta nacional e desafios na cobertura vacinal
Em âmbito nacional, 329 mil servidores e voluntários estarão mobilizados em 94 mil postos para vacinar 17 milhões de crianças menores de cinco anos. A meta é manter a cobertura vacinal acima de 95%, percentual necessário para proteger o país contra a poliomielite. Em Minas Gerais, isso significa alcançar mais de um milhão de crianças. Na primeira fase da campanha, realizada em junho, o estado atingiu 90,5% da cobertura, ficando abaixo da meta estabelecida. Jandira Lemos reforça que a expectativa é superar essa marca na segunda etapa, garantindo que Minas siga livre da doença.
Em 2004, durante a segunda etapa da campanha, o estado superou a meta, alcançando 95,23% de cobertura. Já na primeira etapa daquele ano, a vacinação chegou a 93,91%. O avanço das campanhas de imunização tem sido fundamental para manter o Brasil livre da incidência da poliomielite, observa a coordenadora.
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Histórico da poliomielite em Minas Gerais e no Brasil
O último caso confirmado com isolamento do poliovírus selvagem em Minas Gerais ocorreu em dezembro de 1987, no município de Santa Maria de Itabira. Os casos registrados em 1988 e 1989 foram diagnosticados clinicamente, sem isolamento do vírus. No Brasil, o último isolamento do poliovírus foi em 1989, na cidade de Souza, Paraíba. O continente americano recebeu em setembro de 1994 o Certificado de Erradicação da Poliomielite pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).
Desafios globais na erradicação da paralisia infantil
Apesar do sucesso nas Américas, três regiões ainda não obtiveram a certificação de erradicação da poliomielite: África, Sudeste da Ásia e Mediterrâneo Oriental. Países como Afeganistão, Egito, Níger, Nigéria, Índia e Paquistão continuam sendo foco prioritário das ações internacionais para eliminar a doença.
Quase 80% dos casos recentes concentram-se na Nigéria, Índia e Paquistão, o que justifica a necessidade de manter campanhas de vacinação mesmo em países que já erradicaram a poliomielite. O fluxo intenso de viajantes pelo mundo pode facilitar a propagação do vírus, especialmente em países como o Brasil, que é um importante polo turístico e comercial.
Em 2001, nas Ilhas Espanholas, uma baixa cobertura vacinal permitiu que o vírus vacinal sofresse mutação no ambiente, contaminando crianças e causando casos da doença. Por isso, a coordenadora Jandira Lemos alerta para a importância da vacinação contínua, mesmo para crianças que já receberam doses anteriores. Reforçar a imunização não traz riscos, apenas aumenta a proteção coletiva.
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Entendendo a poliomielite e sua prevenção
A poliomielite é causada por um enterovírus chamado poliovírus, que afeta principalmente crianças, embora adultos possam ser infectados. A transmissão ocorre principalmente pelo contato fecal-oral, especialmente em ambientes com condições sanitárias precárias. Crianças pequenas, sem hábitos adequados de higiene, estão mais vulneráveis. A contaminação também pode ocorrer por meio de água e alimentos contaminados.
Após a entrada no organismo, o poliovírus se multiplica na garganta e intestinos, espalhando-se pela corrente sanguínea e infectando o sistema nervoso. Isso pode levar à destruição dos neurônios motores e causar paralisia flácida, que pode ser temporária ou permanente. Nem todas as pessoas infectadas desenvolvem sintomas, mas quando a doença se manifesta, pode levar à incapacidade ou à morte.
Não há tratamento específico para a poliomielite. A vacina Sabin é a única forma eficaz de erradicar a doença em todo o mundo. A campanha nacional de vacinação é fundamental para garantir a imunização das crianças e manter o Brasil livre da poliomielite, protegendo toda a população.
