O Surgimento da Pontinha de Sabor
A TV UFMG apresentou uma emocionante reportagem que destaca a trajetória da Pontinha de Sabor, uma agroindústria de pequi administrada por mulheres do Quilombo da Pontinha, localizado em Paraopeba, Minas Gerais. A partir desse fruto tão emblemático do Cerrado, as empreendedoras produzem uma variedade de alimentos, incluindo doce em barra, castanha cristalizada, farofa, cremes e óleo, unindo práticas sustentáveis à geração de renda local.
A história da Pontinha de Sabor começou em 2013, quando um grupo de mulheres quilombolas decidiu transformar o pequi em produtos alimentícios. Essa iniciativa surgiu após a participação em cursos de capacitação e o apoio da Universidade, que promoveu estudos de mercado e análises de viabilidade ecológica. Essas ações foram parte do Projeto Pequi, uma iniciativa do Laboratório de Sistemas Socioecológicos, ligado ao Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG.
Objetivos e Desafios
Mais do que apenas produzir alimentos, a Pontinha de Sabor foi criada com um propósito fundamental: gerar oportunidades de trabalho e renda para mulheres quilombolas em seu próprio território. No entanto, a busca por uma renda fixa se revelou como um dos maiores desafios enfrentados pelo projeto. Renata Rosa, que atua na agroindústria há dois anos, comenta sobre essa dificuldade: “Desde o início, não conseguimos levantar uma renda fixa e, infelizmente, quando não se tem um salário fixo, elas saem para fora [do território] para procurar, porque tem que se sustentar. E aí o número de mulheres diminuiu”.
Fortalecendo a Iniciativa
Para superar os obstáculos e fortalecer o negócio, as mulheres da Pontinha de Sabor se inscreveram no programa Motirõ, que oferece formação em Negócios de Impacto, como parte de um projeto de extensão da UFMG. Essa iniciativa é promovida em parceria com a Fundepar, BH-TEC, além do apoio da Fundep e da CTIT/UFMG. O programa consiste em nove módulos que abordam as principais etapas do desenvolvimento empresarial, desde a concepção e modelagem de negócios até a mensuração de impacto e captação de recursos.
A experiência vivenciada no Motirõ foi repleta de desafios, mas também de grandes descobertas para Renata. As viagens semanais de Paraopeba a Belo Horizonte representaram um contato com um ambiente bem diferente da realidade do quilombo, exigindo adaptação. Junto de Ruth Gonçalves, sua parceira na Pontinha de Sabor, Renata confrontou um novo universo. “A gente tem um conhecimento dentro do nosso território. Para chegar lá em BH, no meio daquelas pessoas que já estão acostumadas a enfrentar aquele mercado, aquilo me tirou da bolha”, relembra.
Aproximação do Conhecimento Acadêmico e Realidades Locais
Não foram apenas Renata e Ruth que buscaram transformar o conhecimento acadêmico em algo mais próximo da realidade do quilombo. O programa Motirõ também incluiu monitorias individuais que consideraram as experiências das empreendedoras quilombolas, promovendo uma abordagem formativa acessível e sensível às suas realidades. Essa metodologia incorporativa possibilitou que as participantes pudessem integrar saberes tradicionais ao conhecimento acadêmico.
A reportagem da TV UFMG trouxe à tona essa troca rica de saberes e ilustrou os impactos positivos do programa na agroindústria de pequi. Essa conexão entre o conhecimento acadêmico e as práticas comunitárias evidencia como a extensão universitária pode abrir novas perspectivas para iniciativas coletivas e sustentáveis, fortalecendo o empoderamento das mulheres e promovendo mudanças significativas em suas comunidades.
