Um Olhar Sobre a Produção Cinematográfica Mineira
O cineasta Maurilio Martins, um dos fundadores da produtora mineira Filmes de Plástico, participou no último sábado (27) do programa “EM Minas”, exibido na TV Alterosa e no canal do Portal UAI no YouTube. Na conversa, ele compartilhou detalhes sobre seu mais recente longa-metragem, “O Último Episódio”, que retrata sua vivência no bairro Laguna, em Contagem, Minas Gerais.
O filme, lançado em outubro do ano passado, é centrado na história de Erik, um garoto de 13 anos que nutre um amor platônico por Sheila. No desenrolar da trama, Erik, acompanhado de seus amigos Cristão e Cassinho, decide criar o último episódio da série “Caverna do Dragão”, que nunca foi produzido. “O Último Episódio” não apenas reafirma a importância da Filmes de Plástico, mas também a sua capacidade de contar histórias autênticas e envolventes.
Ao longo da entrevista, Martins explicou que a escolha do cenário em Laguna não foi por acaso. “Eu nasci e cresci lá, e a Filmes de Plástico é de Contagem. Esse contexto é fundamental, pois as minhas memórias pessoais estão entrelaçadas com a narrativa do filme. Foi uma decisão natural ambientar a história onde vivi meus primeiros amores e decepções”, comentou.
Nostalgia e Identificação
Martins observou que “O Último Episódio” é uma obra que provoca nostalgia, capaz de ressoar com diferentes faixas etárias. “Não é apenas um filme infantil. Meu filho de cinco anos adora e consegue entender a história. As pessoas mais velhas também se reconhecem em diversos elementos da narrativa, especialmente objetos e modos de vida que já se perderam ao longo do tempo”, explicou.
A trilha sonora do filme é outro destaque. Composta pela banda Pato Fu, a música original traz um ar nostálgico, remetendo a sonoridades que poderiam ser da época retratada. Martins comentou sobre o entusiasmo de ter trabalhado com John Ulhoa e Richard Neves, integrantes da banda, que se dedicaram a criar canções que evocam a essência da juventude nos anos 90.
Desafios e Reconhecimento
Quando questionado sobre a competição com grandes produções internacionais, Martins destacou um dos principais obstáculos: a distribuição. “O Brasil, apesar de sua vasta população, possui menos de quatro mil salas de cinema, o que torna a disputa com blockbusters extremamente desleal. Precisamos lutar para que o cinema brasileiro tenha mais espaço”, afirmou, destacando que a qualidade dos filmes nacionais é reconhecida por aqueles que têm a oportunidade de assisti-los.
Ele também mencionou a importância da indicação de “Marte Um”, outro filme da Filmes de Plástico, ao Oscar, como um marco para a produtora e para o cinema mineiro. “Foi um acontecimento inédito e trouxe uma nova visibilidade para nossas produções. O reconhecimento externo ajuda a quebrar barreiras e a expandir nosso público”, disse.
Memórias e Criações
Durante a entrevista, Martins revelou que o processo de criação de “O Último Episódio” incluiu uma pesquisa meticulosa para recriar o ambiente e a estética da década de 90. “Tivemos que utilizar várias técnicas para captar a essência do bairro Laguna e a vida naquela época. O resultado foi um filme que ressoa com quem vivenciou aquele período”, afirmou, ressaltando o trabalho da equipe de direção de arte, figurino e fotografia.
O cineasta também trouxe à tona uma história pessoal: um VHS de sua infância que acabou sendo utilizado em uma das cenas do longa. “É emocionante ver como minha história se entrelaça com a do filme. Estou em uma cena da fita, junto do meu melhor amigo, que também atua no filme. É uma forma de celebrar nossas memórias”, compartilhou, visivelmente emocionado.
