Desafios da Direita Brasileira em 2025
Uma pesquisa recente da Ipsos-Ipec, divulgada em dezembro, revelou que 52% da população desaprova a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva durante sua terceira presidência. O estudo mostrou que 44% dos entrevistados afirmaram categoricamente que não votariam no petista, marcando a maior rejeição até o momento. Além disso, 56% dos respondentes expressaram que ele não merece ser reeleito. Esse cenário poderia parecer favorável para a direita na corrida presidencial em 2026, mas as últimas movimentações políticas indicam que a trajetória do grupo tem sido tudo menos linear.
O ano começou com a figura proeminente da direita, Jair Bolsonaro, enfrentando sérias acusações, tornando-se réu por tentar realizar um golpe de Estado. Com sua inelegibilidade e o risco de prisão — que eventualmente se concretizou — Bolsonaro continuou afirmando sua intenção de concorrer novamente. Em uma declaração feita em maio, ele insistiu: “Vou até o último segundo”, desconsiderando a possibilidade de apoiar um sucessor político. Apesar desse cenário, governadores como Ronaldo Caiado (União Brasil), que se posicionou como pré-candidato em abril, e Romeu Zema (Novo), que fez o mesmo em agosto, não conseguiram gerar grande entusiasmo entre o eleitorado.
O Centrão e segmentos influentes da sociedade civil têm demonstrado preferência por Tarcísio de Freitas (Republicanos), que aparece nas pesquisas como o nome mais forte. Após a prisão de Bolsonaro, acreditava-se que ele poderia, finalmente, direcionar seu apoio a Tarcísio. Inesperadamente, o ex-presidente decidiu apontar seu apoio a seu filho, Flávio Bolsonaro (PL), buscando manter a coesão de sua base eleitoral e priorizando a pauta da anistia. Nesse contexto, a aliança com o PL se mostrou a única, já que outros partidos deixaram de apoiar a candidatura de Flávio.
Agora, a direita enfrenta uma espécie de prévias informais no primeiro turno das eleições, onde será definido quem possui condições de competir efetivamente contra Lula na rodada final. Os primeiros quatro meses de 2026 serão cruciais, pois este é o período em que Tarcísio e Ratinho Junior precisam deixar seus cargos se desejarem liderar a oposição. Este também será um tempo de avaliação para Flávio Bolsonaro, que precisa provar seu apelo político e a capacidade de mobilizar o eleitorado.
Enquanto os partidos se movimentam, a direita busca estabelecer uma estratégia clara para se firmar no cenário político. As disputas internas e a falta de unidade podem ter um impacto significativo nas eleições, especialmente num contexto em que a rejeição a Lula é alta. A disputa promete ser acirrada, e os próximos passos da direita serão observados com atenção pelas diversas esferas políticas.
