Desafios de 2026: A Indefinição de Palanque em Minas Gerais
O presidente Lula (PT) começa o ano eleitoral de 2026 sem um palanque definido em Minas Gerais, apesar de ter visitado o estado em várias ocasiões ao longo de 2025. Minas é considerado um território estratégico, reunindo o segundo maior colégio eleitoral do Brasil e atuando como um termômetro para os resultados das eleições presidenciais. Desde a redemocratização, todos os candidatos que venceram a presidência foram também bem-sucedidos no estado mineiro.
Vale destacar que, no primeiro ano de seu mandato, em 2023, o presidente não incluiu Minas em sua agenda de viagens, o que contrasta com a intensa atividade em 2025. Durante o ano passado, Lula esteve acompanhado em diversos eventos pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que chegou a se dirigir ao público em tom eleitoral, apresentando-se como um potencial adversário do governador Romeu Zema (Novo) e do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), ambos considerados possíveis candidatos ao Palácio Tiradentes.
As expectativas de uma candidatura de Pacheco, no entanto, se esfriaram no último trimestre de 2025. Após uma negociação em que Lula informou que havia escolhido Jorge Messias para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), Pacheco expressou sua intenção de se afastar da política após o término de seu mandato no Senado, previsto para fevereiro de 2027.
Outro ponto que pode complicar uma candidatura de Pacheco é a filiação do vice-governador Zema ao PSD, que foi confirmada em um evento em outubro com a presença de Gilberto Kassab, presidente nacional do partido. Apesar de publicamente Lula afirmar que não desistiu da possibilidade de apoiar Pacheco, bastidores indicam que o PT já busca alternativas para garantir um palanque forte em Minas.
Um dos nomes que tem ganhado destaque é o de Tadeu Leite (MDB), atual presidente da Assembleia Legislativa, que participou do último evento de Lula em Belo Horizonte, mas sem a presença de Pacheco. A articulação para a candidatura de Tadeuzinho, como é conhecido, está sendo coordenada por Edinho Silva, presidente nacional do PT. O plano inclui uma possível filiação de Tadeuzinho ao PSB, visando fortalecer sua candidatura.
No entanto, o político, que possui forte base eleitoral no norte de Minas, também demonstra hesitação em relação a uma candidatura majoritária. Outro fator que pode influenciar sua decisão é a polêmica privatização da estatal de saneamento Copasa, que ocorreu sob sua gestão e enfrentou forte oposição de partidos de esquerda. Em um evento recente com Lula, Tadeuzinho foi vaiado por militantes petistas, que o rotularam de “ladrão”.
Dentre os potenciais aliados do PT em Minas, destacam-se as prefeitas Marília Campos, de Contagem, e Margarida Salomão, de Juiz de Fora. Contudo, ambas já negaram publicamente suas intenções de concorrer ao governo em 2026. Marília admite a possibilidade de deixar a prefeitura para se candidatar ao Senado, enquanto Margarida deve continuar na liderança do município na Zona da Mata.
Outra estratégia em discussão dentro do partido é a reedição da parceria de 2022, quando o PT apoiou Alexandre Kalil (PDT) na corrida ao governo. Kalil, atualmente inelegível por decisão da Justiça Eleitoral, está aberto a possíveis coligações, mas expressou sua resistência em ser novamente considerado o “candidato do Lula”. A situação é semelhante para Gabriel Azevedo (MDB), ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, que se apresenta como pré-candidato ao Palácio Tiradentes e busca uma alternativa distante dos representantes do PT e do PL.
