Análise do Crescimento do Cultivo de Amendoim
Com uma produção que ultrapassa 800 mil toneladas em aproximadamente 220 mil hectares, o cultivo de amendoim no Brasil tem demonstrado uma expansão significativa nos últimos anos. Esse crescimento é resultado direto de ganhos em produtividade, mecanização e a adoção de tecnologias inovadoras. Essas informações foram apresentadas no relatório “Cultivo de Amendoim”, lançado pela Embrapa Algodão.
Embora a produção de amendoim esteja concentrada em São Paulo, ela também avança em outros estados, como Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins. Nesses locais, o cultivo é realizado em sistemas de rotação com outras culturas, incluindo soja, milho, cana-de-açúcar e na renovação de pastagens.
Exportação: Um Pilar do Setor
De acordo com o relatório da Embrapa, entre 60% e 70% da produção nacional de amendoim é direcionada ao mercado externo, enquanto o restante atende à demanda interna. O crescimento do setor está intimamente ligado à adoção de cultivares do tipo runner, que se adaptam melhor à colheita mecanizada. Além disso, avanços no manejo do solo, na nutrição das plantas e no controle fitossanitário têm contribuído para essa expansão.
Atualmente, o amendoim ocupa a sexta posição entre as culturas oleaginosas em volume de óleo produzido no mundo, com China, Índia e Senegal se destacando como os principais produtores. Dada a predominância da exportação, a Embrapa enfatiza a importância de atender a protocolos de qualidade, rastreabilidade e controle de resíduos, que são requisitos fundamentais para acessar os mercados internacionais. A estratégia recomendada envolve alinhar decisões agronômicas ao destino da produção, desde a escolha da cultivar até as etapas pós-colheita.
Orientações para o Manejo Eficiente
Para um plantio bem-sucedido, a Embrapa sugere que as temperaturas se mantenham entre 25 °C e 30 °C ao longo do ciclo da cultura, além de garantir chuvas com volume entre 500 e 700 milímetros, bem distribuídas ao longo do período. Em regiões com maior risco climático, é aconselhável seguir as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que estabelece períodos com menor probabilidade de perdas, dependendo do município, do tipo de solo e do ciclo da cultivar.
A escolha da área para o cultivo deve priorizar solos de textura média a arenosa, que sejam bem drenados e possuam boa aeração. Esses fatores são cruciais para o desenvolvimento do sistema radicular e a formação das vagens, que ocorrem abaixo da superfície. Por outro lado, solos argilosos e mal drenados podem aumentar as perdas na colheita e dificultar o manejo da cultura.
Antes de iniciar a lavoura, a Embrapa recomenda a realização de uma análise química do solo, dado que muitas áreas agrícolas no Brasil apresentam acidez elevada e deficiência de nutrientes. Para o cultivo de amendoim, o pH ideal oscila entre 5,8 e 6,5. A calagem é indicada para corrigir a acidez, enquanto o uso de gesso agrícola é recomendado em situações específicas, especialmente para fornecer cálcio e reduzir a presença de alumínio em camadas mais profundas do solo.
Manejo Nutricional e Fitossanitário
No que tange ao manejo nutricional, é essencial assegurar a disponibilidade adequada de cálcio, considerado um nutriente determinante para a formação e o enchimento das vagens. A adubação fosfatada e potássica deve ser determinada com base na análise do solo, evitando aplicações excessivas no sulco de semeadura, especialmente de potássio, para mitigar riscos de efeitos salinos sobre as sementes.
Para minimizar problemas fitossanitários, é recomendável implementar um manejo integrado de plantas daninhas, pragas e doenças, com planejamento cuidadoso e uso racional de defensivos agrícolas. A rotação de culturas e um intervalo de pelo menos três anos sem cultivo de amendoim na mesma área são estratégias eficazes para reduzir a pressão de patógenos e pragas no solo.
Colheita: Preservando a Qualidade
Na hora da colheita, um manejo adequado no momento do arrancamento, assim como nos processos de secagem e armazenamento, é fundamental para preservar a qualidade dos grãos e minimizar riscos de contaminação, especialmente por fungos que produzem aflatoxinas. O armazenamento deve ocorrer em condições que restrinjam umidade e temperatura, atendendo aos rigorosos padrões exigidos pelo mercado.
