Posição da Abraji sobre Intimidação a Jornalistas
A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) manifestou seu repúdio em uma nota divulgada nesta sexta-feira, dia 27, em reação às ofensas e ameaças direcionadas à jornalista Andréia Sadi, apresentadora da GloboNews.
No comunicado, a associação ressalta que os ataques nas redes sociais aumentaram consideravelmente após a jornalista apresentar, durante o programa Estúdio i, uma retratação da emissora sobre um infográfico que investigava as conexões de Daniel Vorcaro, do Banco Master, com diversos políticos e agentes públicos. A exibição ocorreu na segunda-feira, dia 23.
A nota da Abraji é clara: “Repudiamos veementemente as ameaças de intimidação e de violência física e sexual à jornalista Andréia Sadi e a seus familiares”.
Na edição da semana passada, Sadi exibiu um infográfico que estabelecia relações entre Vorcaro e figuras de destaque como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, além do diretório do PT na Bahia.
Além disso, a arte associava Vorcaro a nomes influentes como os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), o ex-governador de São Paulo João Doria, e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. Também estavam mencionados o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o presidente do partido União, Antonio Rueda, e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
O infográfico gerou polêmica, recebendo críticas de integrantes de grupos da esquerda por dar ênfase a Lula e ao PT, ao mesmo tempo em que minimizava a menção a outros políticos como o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que foi um apoiador da tentativa frustrada de aquisição do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília). O nome do ministro Dias Toffoli, que teve ligações comerciais com um fundo conectado a Fabiano Zettel, operador de Vorcaro, também foi notado pelas ausências.
Poucos dias depois, Sadi leu no ar uma nota em que se desculpava por ter apresentado um material que considerou “errado e incompleto”, reconhecendo que não havia clareza sobre os critérios utilizados para selecionar as informações. Desde então, a jornalista tem enfrentado uma onda de ataques nas redes sociais.
A Abraji, em sua declaração, reafirma seu compromisso com a proteção da liberdade de imprensa e o exercício do jornalismo, que deve sempre respeitar princípios éticos, incluindo o da retratação quando necessário. “Críticas e discordâncias são parte de um ambiente democrático. No entanto, ataques pessoais e tentativas de intimidar ou silenciar jornalistas e seus familiares são inaceitáveis em uma sociedade que valoriza a democracia e ultrapassam os limites da legalidade”, conclui a nota.
