O Projeto Centauro II-BR e Seus Implicativos
O Exército Brasileiro (EB) deve formalizar entre fevereiro e maio de 2026 um contrato crucial para a aquisição da Viatura Blindada de Combate de Cavalaria (VBC Cav) Centauro II-BR, segundo informações obtidas pela CNN. Este acordo, celebrado com a Iveco Defence Vehicles (IDV) e a Oto Melara, faz parte de um consórcio italiano e visa não apenas a compra, mas também a produção local e a transferência de tecnologia, um aspecto fundamental para a autonomia da defesa nacional.
O programa contempla a aquisição de 96 viaturas blindadas 8×8, com um investimento total estimado em cerca de R$ 5 bilhões. As entregas dos novos veículos estão programadas para ocorrer até 2033. O Centauro II-BR foi escolhido para substituir o icônico EE-9 Cascavel, que opera no Exército desde a década de 1970, e promete trazer inovações significativas em termos de desempenho e capacidade.
Montagem e Produção: O Futuro Local
A fase inicial do projeto prevê que a montagem final das viaturas seja realizada na unidade da IDV em Sete Lagoas, em Minas Gerais, onde já são produzidos os blindados Guarani 6×6. De acordo com o planejamento industrial estabelecido, a partir de 2027, os cascos e torres do Centauro II devem passar a ser integralmente fabricados no Brasil, com a colaboração de fornecedores nacionais, o que reforça o compromisso com a indústria local.
Fontes ligadas ao Exército apontam que, durante a produção dos primeiros lotes, cerca de 60% dos componentes do blindado poderão ser nacionalizados. Esta medida está em sintonia com a política de autonomia estratégica da Força Terrestre, que visa reduzir a dependência de importações em sistemas de defesa terrestre e munições de grande calibre, fortalecendo assim a soberania nacional.
Transferência de Tecnologia: Avanços na Indústria Bélica
A transferência de tecnologia é um dos pilares do contrato. O pacote inclui conhecimentos essenciais para a fabricação de munições de 120 milímetros, abrangendo tipos perfurantes, explosivos e programáveis. Além disso, o acordo contempla a incorporação de sistemas de controle de tiro, eletrônica embarcada, sensores e equipamentos optrônicos, ampliando as capacidades operacionais do Exército.
A Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL) também está envolvida em estudos e atividades voltadas para a absorção tecnológica, especialmente nos segmentos de munição de 120 milímetros e sistemas de comunicação, como rádios criptografados. Em um movimento paralelo, o Exército está realizando uma consulta pública para a aquisição desse tipo de munição, uma fase preparatória para a futura produção sob licença no Brasil.
Capacidades do Centauro II-BR e Fases de Testes
O Centauro II-BR é equipado com um canhão de 120 milímetros e apresenta superior mobilidade e proteção em comparação ao Cascavel, ampliando assim as capacidades da cavalaria mecanizada do Exército Brasileiro. Atualmente, dois protótipos do Centauro II estão em fase de testes no Brasil. Esses veículos terão um papel fundamental na realização de ajustes técnicos finais e na capacitação de pessoal, essenciais antes do início da produção em série, previsto para 2027, conforme o cronograma oficial.
