Conflitos e Divisões
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A recente mudança de Jair Bolsonaro (PL) para a Papudinha, em Brasília, tem gerado uma onda de discórdia entre seus apoiadores, especialmente em relação às eleições deste ano. Na manhã desta sexta-feira (16/1), as tensões se tornaram evidentes durante uma troca de farpas entre aliados próximos, ligados a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A decisão de transferir Bolsonaro ocorreu na sede da Polícia Federal, após determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A mudança, solicitada pelos familiares do ex-presidente, foi baseada na alegação de que as condições do local não eram adequadas para suas necessidades de saúde. O ministro se reuniu com Michelle Bolsonaro antes de confirmar a alteração na quinta-feira (15/1), surgindo, assim, rumores de que Tarcísio havia feito contatos com ministros da Corte sobre o assunto.
Em uma coletiva, o governador confirmou que realmente discutiu a transferência, mas se esquivou de dar mais detalhes. “Desde o ano passado, venho tratando esse assunto. As expectativas são de que Bolsonaro possa ser transferido para a prisão domiciliar”, declarou durante uma entrevista em Cubatão, na Baixada Santista.
Embora tanto Tarcísio quanto Michelle não tenham celebrado a decisão publicamente, alguns aliados se mostraram satisfeitos. O pastor Silas Malafaia, conhecido por organizar manifestações em apoio a Bolsonaro, fez questão de parabenizar a dupla em suas redes sociais, afirmando que a articulação para a mudança de custódia foi uma vitória, ainda que não ideal. Segundo ele, Bolsonaro é um perseguido político e merece condições melhores.
Outro defensor da saúde do ex-presidente, Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação, também manifestou apoio ao governador e à ex-primeira-dama, elogiando seus esforços para buscar a prisão domiciliar. Ele ressaltou que as ações deles demonstram uma defesa sólida da saúde do presidente, afirmando que estão incansavelmente lutando por isso.
Expectativas e Conflitos Internos
Por trás da cortina, há uma expectativa crescente entre os aliados de Bolsonaro, especialmente entre os líderes de partidos da direita e do centrão. Esses grupos observam atentamente se Flávio Bolsonaro irá recuar de sua candidatura à Presidência, considerando Tarcísio uma opção com menos rejeição e potencial para derrotar Lula (PT) nas próximas eleições.
Apesar das especulações, Tarcísio tem reiterado seu compromisso em concorrer à reeleição. Entretanto, membros da família Bolsonaro expressaram incômodo diante das notícias de que o governador foi uma peça central na articulação da transferência do ex-presidente. Para eles, a divulgação das conversas estabelecidas entre Tarcísio e ministros, que ocorreu horas antes da mudança de local da custódia, visava atribuir a ele o mérito da decisão.
Em uma resposta contundente, Carlos Bolsonaro (PL), ex-vereador e filho do ex-presidente, comentou nas redes sociais que as recentes movimentações políticas são muito mais do que simples disputas de poder entre aliados. Ele sugeriu que o objetivo final é uma batalha de forças com o próprio Jair Bolsonaro, não apenas com seus filhos.
Wajngarten, ao fazer uma publicação em apoio a Tarcísio, também defendeu sua posição, afirmando que o foco é garantir a saúde do presidente. Ele criticou aqueles que, segundo ele, estão mais interessados em promover agendas pessoais do que em colaborar com a luta pela saúde e bem-estar de Bolsonaro.
Reações e Consequências
No clima de tensão, Cleitinho, político conhecido por suas declarações polêmicas, se manifestou em prol de uma transferência para a casa de Bolsonaro, e também pediu o impeachment de Moraes, dizendo não temer as consequências de suas palavras.
Nikolas, outro apoiador, questionou a decisão de manter Bolsonaro na Papudinha, sugerindo que a prisão domiciliar seria mais adequada. A estrutura da nova prisão oferece um espaço de 65m², onde o ex-presidente terá direito a cinco refeições diárias, água quente e uma cama de casal.
Analisando o cenário, a guerra interna continua, e a disputa pelo controle da narrativa política de Bolsonaro se intensifica. Enquanto isso, críticas surgem em relação a Filipe Sabará, ex-coordenador da campanha de Pablo Marçal (PRTB), que tenta consolidar Flávio como candidato à Presidência, mas enfrenta resistência de apoiadores de Tarcísio. Em resposta a Wajngarten, Sabará publicou uma nota enfatizando a necessidade de unidade em torno da candidatura de Flávio.
No final do dia, a mudança de prisão de Bolsonaro se deu logo após Tarcísio compartilhar um vídeo crítico à política econômica do país. O vídeo provocou reações indesejadas entre os filhos de Bolsonaro, e mesmo após ser questionado sobre as críticas direcionadas à sua esposa, o governador optou por não comentar.
