Defesa de Aliança
A deputada federal Duda Salabert, do PDT, manifestou sua expectativa de que o Partido dos Trabalhadores (PT) apoie a candidatura do seu conterrâneo e ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. Em uma entrevista concedida ao programa Café com Política, disponível no canal de O TEMPO no YouTube, Salabert analisou o cenário político para o próximo pleito.
Kalil, que se filiou ao PDT em outubro, já anunciou sua pré-candidatura ao Palácio Tiradentes. Com o PT sem uma liderança clara para a disputa ao Executivo mineiro, a candidatura de Kalil surge como uma alternativa viável, lembrando a aliança em 2022, quando ele obteve o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida contra o governador Romeu Zema, do Novo.
“Se o PT tiver o mínimo de responsabilidade por Minas Gerais, tem que apoiar o Kalil”, afirmou Salabert. Embora reconheça divergências com o ex-prefeito, a deputada ressaltou que existem pontos em comum entre eles. Segundo Salabert, a candidatura de Kalil representa uma possibilidade de equilíbrio em um ambiente político polarizado, além de elogiar a gestão da pandemia em Belo Horizonte durante seu mandato.
“Acredito que Kalil é a figura que Minas precisa no governo do Estado. Espero que o PT não cometa o mesmo erro que cometi. Nós estávamos liderando as pesquisas, éramos o principal nome do campo progressista na campanha para a prefeitura de Belo Horizonte. No entanto, o PT decidiu lançar outra candidatura, fragmentando nosso espaço”, desabafou Salabert.
A Resistência do PT
Ainda que defenda essa aliança, Kalil enfrenta resistência interna na executiva do PT em Minas. As críticas feitas ao partido após a eleição de 2022 pesam sobre o ex-prefeito. Contudo, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, jantou com Kalil em sua residência em Belo Horizonte no mês de novembro, embora as conversas não tenham avançado. Em uma coletiva realizada em Brasília no dia 9 de dezembro, Edinho se referiu a Kalil com respeito, mas abordou a possibilidade de uma nova aliança com cautela.
“Kalil é um líder que merece nosso respeito. Estive em Minas e conversei com ele… Após um processo eleitoral, especialmente quando se perde, saímos com feridas que precisam ser tratadas”, declarou Edinho.
Foco nas Eleições de 2026
Durante a mesma entrevista, Duda Salabert expressou suas preocupações a respeito da estratégia da direita, que, segundo ela, visa o controle do Senado. “O maior projeto político da ultradireita não é a presidência, mas o Senado”, alertou, enfatizando que o campo democrático deve concentrar esforços na disputa por cadeiras nessa casa legislativa. Em Minas, Salabert destacou a prefeita de Contagem, Marília Campos, como a principal representante do progressismo no Estado. “Para quem defende a democracia, é imprescindível apoiar Marília Campos. Ela simboliza hoje o grande nome da política democrática em Minas”, ressaltou.
A deputada também avaliou positivamente a possibilidade de o deputado federal Mário Heringer, do PDT, concorrer ao Senado como uma alternativa mais central. “Seria uma excelente opção. Minas ganharia muito com a candidatura dele”, afirmou. Sobre a ex-deputada Áurea Carolina, do PSOL, Salabert reconheceu sua relevância, mas foi cautelosa quanto à sua viabilidade eleitoral. “Ela ajudou a modernizar a esquerda em Minas, ressaltando a importância da diversidade na política, mas as pesquisas mostram que sua chance de vitória não é expressiva. O grande nome para o Senado é Marília Campos”, concluiu.
Críticas à Gestão de Zema
Duda Salabert também fez críticas contundentes à administração do governador Romeu Zema, afirmando que ele mantém uma relação de submissão com as mineradoras. “Zema é o office boy das mineradoras”, disparou, criticando sua abordagem em relação à política ambiental e a tentativa de privatização da Copasa.
A parlamentar também atacou as pré-candidaturas do vice-governador Mateus Simões e do senador Cleitinho, afirmando que representam a continuidade de um “projeto entreguista” e acusando Cleitinho de desconsiderar a população mais vulnerável. “Querer excluir os mais pobres do debate político é ignorar a Constituição”, finalizou Salabert.
