Desafios da Unificação da Direita em Minas Gerais
Com a proximidade de sua posse como governador de Minas Gerais, Mateus Simões, do PSD, destaca que a possível união de Romeu Zema (Novo) com Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial poderia beneficiar sua reeleição no estado. Simões acredita que essa colaboração encerraria a discussão sobre a aliança entre os partidos de direita em Minas, embora reconheça que a articulação transcende as fronteiras estaduais.
Em entrevista à Folha, o vice-governador declarou que está preparado para enfrentar uma eleição mais acirrada em Minas, caso não haja um acordo em nível nacional. “Estou pronto para que tenha uma eleição mais disputada se não existir um acordo nacional”, afirmou Simões.
Assumindo o governo mineiro neste domingo (22), Simões planeja seguir a estratégia de Zema, priorizando a interiorização das ações. Ele mencionou a importância de dar transparência aos regimes especiais de tributação, benefícios que costumam ser vinculados à redução do ICMS, visando atrair empresas para o estado.
Compromissos com a Gestão e Habitação
Embora seja membro do PSD de Gilberto Kassab, Simões se posiciona como um aliado das iniciativas nacionais de Zema, deixando de lado eventuais alternativas que seu partido considera, como as candidaturas de Ratinho Junior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite.
No cenário estadual, o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, pode mudar de partido e buscar apoio de Lula (PT) para sua candidatura. Registros de Flávio indicam certa desconfiança do PL em relação a Simões, que por sua vez considera a possibilidade de apoio a Cleitinho (Republicanos) e ao presidente da Fiemg, Flávio Roscoe.
Assumindo um papel proativo, Simões reconhece o desafio de se tornar mais conhecido entre os eleitores. A pesquisa recente revelando que 72% da população ignora quem serão os candidatos a governador traz uma perspectiva otimista para ele, que acredita que sua posição pode ser vantajosa. “Eu não preciso me preocupar com eleição agora, porque assumir o governo do estado acaba sendo o caminho natural para esse reconhecimento”, comentou.
Investimentos em Infraestrutura e Segurança
Simões também revelou planos para aumentar a verba destinada ao combate a desastres naturais, como as enchentes na zona da mata, por meio da privatização da Copasa, que gerará um fundo de aproximadamente R$ 500 milhões para construção de macrodrenagens. Além disso, ele pretende estabelecer uma política habitacional focada inicialmente nas forças de segurança, visando garantir moradia adequada para policiais que vivem em áreas de risco.
Sobre a transparência fiscal, Simões destacou a necessidade de tornar os dados dos regimes especiais tributários acessíveis. “A gente precisa ter mais transparência. É essencial”, afirmou, deixando claro que não se aterá apenas às renúncias fiscais, mas buscará clareza sobre os beneficiários e os critérios envolvidos.
Relações Políticas e Futuro da Direita
Em relação à sua aproximação com o PL e as dificuldades com alguns deputados estaduais, Simões enfatizou que sua ligação com a segurança pública transcende as alianças partidárias. Ele frisou que o foco deve ser em políticas que atendam às necessidades da população, sem se deixar levar por agendas corporativas.
Ainda questionado sobre a viabilidade de uma aliança única entre as forças de direita, Simões acredita que essa decisão está mais ligada ao cenário nacional do que ao contexto local de Minas. Ele mantém diálogos ativos não apenas com Zema, mas também com figuras como Cleitinho e Nikolas Ferreira.
O vice-governador salientou a importância de manter uma postura unificada, mesmo diante das divergências. Com um panorama onde a direita é a maioria no Brasil, Simões e Kassab acreditam que a população está cansada da polarização e busca alternativas. Essa percepção reflete um desejo de mudança que pode impactar as eleições deste ano.
“A proposta da candidatura de Zema e de Ratinho não é de eleição com base em apoio político, mas com base em leitura popular”, concluiu Simões, reafirmando seu apoio à candidatura de Zema.
