Mudança de Cenário na Política Mineira
A relação entre o governador Romeu Zema (Novo) e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) passou por uma transformação marcante. Segundo dados do Núcleo de Dados do Estado de Minas, a aprovação dos projetos enviados pelo governo saltou de 62% na presidência do ex-deputado Agostinho Patrus para impressionantes 85% sob a liderança de Tadeu Martins Leite (MDB). Este aumento considerável ressalta o novo panorama político da gestão de Zema desde que Tadeu assumiu a presidência da ALMG, em fevereiro de 2023.
Durante esse período, o governo apresentou 86 projetos de lei e complementares à Assembleia. Desse total, 73 obtiveram aprovação dos deputados estaduais, resultando em 65 leis já sancionadas e oito projetos que aguardam a sanção do governador. Essa alta taxa de aprovação é um indicativo de que o relacionamento entre o Executivo e o Legislativo se fortaleceu, ao contrário do que ocorreu em seu primeiro mandato.
Desafios e Arquivamentos
É importante notar que, em seu segundo mandato, Zema enfrentou apenas um arquivamento de projeto, referente à proposta 3.737/2025, que pretendia transferir a Empresa Mineira de Comunicação (EMC) para a União. O governo decidiu retirar a proposta, que gerou descontentamento entre os opositores. Para efeito de comparação, no primeiro mandato, o governo de Zema teve 23 projetos arquivados, algo que reflete uma nova dinâmica no trato com a Assembleia.
A relação entre Zema e a ALMG também se tornou um símbolo da busca por soluções para a bilionária dívida do estado com a União. No primeiro mandato, a tentativa de aprovar o Regime de Recuperação Fiscal (RRF) enfrentou obstáculos significativos, como ausências de consenso e pressão de servidores públicos. Agostinho Patrus, que hoje é ministro do Tribunal de Contas (TCE), relatou a dificuldade de obter apoio para essa medida crucial.
O Novo Pacote de Medidas
Já sob a presidência de Tadeu Martins Leite, o governo avançou na aprovação de um pacote de medidas que permite a adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Um dos pontos controversos dessa estratégia é a proposta de privatização da Copasa, que tem gerado críticas tanto no bloco de oposição quanto na sociedade civil.
Análise Política
Para o cientista político Adriano Cerqueira, professor no Ibmec em Belo Horizonte, essa nova relação é reflexo de um amadurecimento político por parte de Zema e do Partido Novo. Ele aponta que o primeiro mandato foi repleto de desafios, com uma base legislativa pequena e a pandemia impactando a governança. A aproximação de Zema com Tadeu Martins Leite se deve à fragilidade da oposição em Minas Gerais, que não apresenta um candidato forte para as próximas eleições. “No segundo mandato, a conversa é outra. Ele chegou com muita moral ao ser eleito no primeiro turno e conseguiu isolar a oposição”, afirma Cerqueira.
Por outro lado, Paulo Ramirez, também cientista político e professor da ESPM, ressalta que muitos presidentes de legislativos têm como missão a manutenção do status quo, visando a própria reeleição. “Há uma metodologia enraizada de toma lá dá cá”, observa. Segundo ele, os presidentes tendem a adotar uma postura mais discreta quando seus interesses são atendidos pelo Executivo.
Tadeu Martins Leite se Pronuncia
Recentemente, Tadeu Martins Leite foi questionado sobre o elevado índice de aprovação de projetos durante sua gestão em coletiva de imprensa. O presidente da Assembleia reafirmou a importância da independência entre os Poderes e destacou que os deputados contribuíram para aprimorar as propostas enviadas pelo governo, refletindo um esforço conjunto para o desenvolvimento do estado.
Com essa nova dinâmica, o governador Zema parece estar no caminho de estabelecer uma governança mais colaborativa e produtiva, o que certamente será crucial para a gestão nos próximos anos.
