Divisão de Opiniões sobre a Ação Militar dos EUA
A pesquisa Genial/Quaest, divulgada na última quinta-feira (15/1), revelou uma divisão significativa entre os brasileiros em relação à intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela. De acordo com os dados, 51% dos entrevistados consideram “errada” a condenação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à prisão de Nicolás Maduro, enquanto 37% apoiam a posição do mandatário brasileiro.
Na ocasião, Lula descreveu os ataques norte-americanos como uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela”, o que gerou reações contrastantes entre o eleitorado. A pesquisa, que ouviu 2.004 eleitores entre os dias 8 e 11 de janeiro, revelou que a maioria dos brasileiros, 66%, prefere que o Brasil mantenha uma postura neutra em relação às ações de Donald Trump, com apenas 10% defendendo uma oposição ativa.
Aumento das Críticas ao Governo dos EUA
O governo Lula tem intensificado suas críticas à intervenção dos EUA, alegando que Maduro foi sequestrado. O descontentamento com a postura do presidente brasileiro é visível entre eleitores que se identificam como lulistas, com 62% desaprovando a ação militar. Por outro lado, a aprovação entre os eleitores bolsonaristas salta para 71%, com apenas 21% expressando desaprovação.
Opinião Favorável à Ação Militar
A operação norte-americana que resultou na captura do líder venezuelano é apoiada por 46% dos brasileiros, superando os 39% que desaprovam. Este apoio é amplamente justificado com base no combate ao narcotráfico, citado como a principal razão por 31% dos entrevistados.
No entanto, a aceitação de uma intervenção militar no país vizinho convive com um sentimento de receio nacionalista. A pesquisa revelou que 58% da população teme que os Estados Unidos possam realizar uma ação semelhante contra o Brasil no futuro. Este medo é acentuado entre os eleitores lulistas, dos quais 74% expressam preocupação, enquanto 57% dos bolsonaristas compartilham esse temor.
Impacto nas Eleições de 2026
A pesquisa também avaliou como a posição de Lula sobre a situação venezuelana pode influenciar as próximas eleições presidenciais. Para 71% dos entrevistados, a postura do presidente não afetará sua decisão de voto, enquanto apenas 17% afirmam que isso os faria optar pela oposição.
Esses dados sugerem um cenário complexo em que a divisão de opiniões sobre a política externa do Brasil pode não ter um impacto imediato nas intenções de voto, revelando uma dinâmica política em constante evolução.
A pesquisa foi realizada de forma presencial com 2.004 pessoas e apresenta uma margem de erro de 2 pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%. Os resultados evidenciam a polarização e as divergências de opinião em um momento crítico da política brasileira.
