A Arrecadação Federal em Números
A arrecadação federal do Brasil alcançou um novo marco histórico em 2025, totalizando R$ 2,93 trilhões quando corrigidos pela inflação. Este valor representa um crescimento em relação aos R$ 2,82 trilhões registrados no ano anterior, resultando em um aumento real de 3,65%. Este dado é especialmente significativo, pois reflete a maior arrecadação anual desde que a Receita Federal iniciou sua série histórica, em 1995, ou seja, há 31 anos.
O salto na arrecadação foi impulsionado por uma série de medidas adotadas pelo governo federal e pelo Congresso, que visaram intensificar a coleta de tributos. “Os números são impressionantes, demonstrando um crescimento expressivo, considerando o já elevado patamar de 2024”, comentou Robinson Barreirinhas, secretário da Receita Federal.
Fatores Impulsionadores
Entre as ações que contribuíram para o aumento da arrecadação, destacam-se as alterações na tributação. No final de 2024, houve a elevação da carga tributária sobre os juros de capital próprio, afetando empresas, fintechs e apostas esportivas. Curiosamente, essas mudanças não impactaram diretamente os números de 2025, mas o crescimento da economia certamente desempenhou um papel vital nesse cenário positivo.
O crescimento no setor industrial, o aumento nas vendas de bens e serviços, a elevação da massa salarial e as importações foram destacados como fatores que contribuíram para o desempenho robusto da arrecadação em 2025.
Recorde do IOF
Além da arrecadação total, o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) também registrou um desempenho notável, atingindo o maior valor histórico em 2025. Segundo Claudemir Malaquias, do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, a arrecadação do IOF cresceu R$ 12 bilhões em comparação ao ano anterior, superando as expectativas que eram de R$ 10 bilhões. O total arrecadado em 2025 chegou a R$ 86,5 bilhões, com um aumento real de 20,5% frente ao ano anterior.
Esse crescimento deve-se em parte a decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal (STF) que possibilitaram um aumento da tributação em várias operações. “A arrecadação pode ser impulsionada por operações relacionadas à saída de moeda estrangeira, crédito a pessoas jurídicas e títulos, especialmente devido a mudanças na legislação que elevaram os tributos”, revelou Malaquias.
A Taxação das Apostas
Outro fator que favoreceu o aumento da arrecadação em 2025 foi a implementação de uma nova taxação sobre apostas esportivas. De acordo com o Fisco, essa medida gerou ingressos de R$ 9,95 bilhões, um salto significativo em comparação aos R$ 91 milhões de 2024. Essa estratégia foi uma das propostas da equipe econômica do governo para ampliar a arrecadação federal, sendo aprovada pela Câmara dos Deputados ao final de 2023.
Desafios Fiscais e Perspectivas Futuras
O recorde na arrecadação é um passo importante para o governo, que busca eliminar o déficit nas contas públicas até 2025. Apesar disso, os resultados fiscalizados do ano passado ainda são aguardados. Vale destacar que existe um limite de tolerância de 0,25 ponto percentual previamente estabelecido, equivalente a cerca de R$ 31 bilhões.
Outras deduções da meta fiscal aprovada incluem estimativas de R$ 500 milhões para projetos estratégicos, além de R$ 40,64 bilhões para precatórios e R$ 3,31 bilhões destinados ao ressarcimento de aposentados e pensionistas com descontos indevidos. Isso sugere que as contas do governo poderão enfrentar um rombo, estimado inicialmente em até R$ 75,4 bilhões, mesmo sem que a meta seja tecnicamente desrespeitada.
Adicionalmente, a previsão de despesas fora da meta fiscal tem gerado críticas entre analistas, que consideram isso um obstáculo ao equilíbrio das contas públicas. O Tesouro Nacional, por sua vez, indica que o resultado das contas permanecerá negativo até 2027, sugerindo que o governo precisará considerar novos aumentos de impostos, ao mesmo tempo em que enfrenta um crescimento da dívida pública, um indicador que merece atenção do mercado financeiro.
