Câmara Municipal promove discussão crucial sobre segurança e crime organizado
A Câmara Municipal de Belo Horizonte realizará, na próxima segunda-feira (23 de fevereiro), uma audiência pública voltada para a discussão da atuação das forças de segurança no combate ao crime organizado na capital. O evento está agendado para às 10h, no Plenário Helvécio Arantes, e os interessados poderão acompanhar presencialmente ou por meio dos canais oficiais da Casa.
O requerimento que originou a audiência destaca que o enfrentamento a facções criminosas tem demandado abordagens cada vez mais técnicas e coordenadas por parte do Estado. O texto menciona que o avanço de organizações com atuação estruturada e alcance nacional intensificou a necessidade de um trabalho integrado entre as polícias.
A iniciativa foi proposta pelo vereador Sargento Jalyson (PL), que preside a Comissão de Administração Pública e Segurança Pública. Ele enfatiza que o objetivo é permitir que representantes das instituições apresentem dados, estratégias e resultados das operações realizadas em Belo Horizonte. “Para compreendermos a situação, precisamos nos reunir com os órgãos competentes que detêm os dados para que eles nos mostrem como está essa realidade das organizações criminosas em cifras aqui na nossa cidade,” observa o parlamentar.
O requerimento também ressalta a importância de ações que envolvam inteligência policial, repressão qualificada, investigação criminal e iniciativas preventivas em áreas vulneráveis da capital. Entre as organizações mencionadas, destaca-se o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que realiza investigações sobre facções. Além disso, são citados os trabalhos da Polícia Militar de Minas Gerais, responsável pelo policiamento ostensivo, da Polícia Civil de Minas Gerais, com foco em investigações, e do Ministério Público de Minas Gerais.
De acordo com Jalyson, embora o legislativo municipal não tenha competência para legislar em matéria penal, ele protocolou um projeto que visa melhorar os números relacionados ao crime. O projeto, apresentado recentemente, se concentra no “sufocamento financeiro” de grupos criminosos. “Chamei esse projeto de ‘anti-barricada’. Aqueles que tentarem bloquear vias para obstaculizar a atuação das forças de segurança serão identificados e multados,” explicou o vereador.
O parlamentar também destaca que esse tipo de bloqueio tem contribuído para a expansão de facções em cidades como o Rio de Janeiro, e a proposição busca evitar que esse cenário se repita em Belo Horizonte. O projeto aguarda um número de identificação para iniciar sua tramitação.
Discussões sobre segurança pública ganham força no cenário estadual
O tema da segurança pública também tem sido amplamente debatido no cenário político estadual, onde as organizações criminosas se tornaram foco de atenção para muitos pré-candidatos ao governo de Minas Gerais. De acordo com levantamento realizado por O TEMPO, 25% das postagens no Instagram do vice-governador e pré-candidato Mateus Simões (PSD) entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 foram dedicadas à segurança pública. Em comparação ao mesmo período do ano anterior, houve um aumento de 100% nas menções ao tema, já que entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, o vice-governador não fez referências à segurança pública.
Outro pré-candidato, Gabriel Azevedo (MDB), ex-vereador de Belo Horizonte, também elegeu o tema como uma prioridade em sua pré-campanha, dedicando 15% das publicações de seu Instagram ao assunto no último mês. “Minas vive uma mudança estrutural no crime. O que antes era local agora se tornou faccionado. O estado perdeu o controle. O crime avançou”, afirmou Azevedo em um de seus posts.
O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, que não costuma ser ativo nas redes sociais, também manifestou, em uma entrevista ao O TEMPO, que pretende fazer da segurança pública uma de suas principais bandeiras eleitorais. “A questão da segurança pública em Minas Gerais é uma piada”, afirmou, acrescentando: “com a campanha, a propaganda enganosa será exposta. A segurança pública é um dos maiores fracassos dos últimos anos em Minas.”
O sociólogo Luís Flávio Sapori comentou que a classe política enfrentará forte pressão do eleitorado para definir estratégias que ajudem a reduzir a violência de forma estrutural. Sapori ainda enfatiza que o setor da segurança pública não comporta soluções simples ou de curto prazo, sendo necessário um planejamento que envolva a coordenação entre União, estados e municípios, além de um comprometimento que vá além do período eleitoral.
