Trajetória de Augusto Lima no Setor Financeiro
A liquidação extrajudicial do Banco Pleno, decretada nesta quarta-feira (18) pelo Banco Central do Brasil (BC), trouxe à tona o nome de Augusto Ferreira Lima. Ele é o controlador da instituição desde julho de 2025 e já foi sócio de Daniel Vorcaro, atual dono do Banco Master.
A situação de Lima é complexa. O banqueiro foi preso preventivamente pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, realizada em novembro do ano passado. Seu histórico é marcado por envolvimentos em fraudes que afetam tanto o Banco Master quanto figuras ligadas ao governo.
Conforme informações do blog do Valdo Cruz, Lima mantém laços estreitos com membros do PT na Bahia, como o ministro Rui Costa, que ocupa a Casa Civil, e Jaques Wagner, líder do governo no Senado. Ele ganhou destaque após adquirir a rede de supermercados Cesta do Povo durante a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal).
Credcesta e suas Implicações
Com essa aquisição, Lima também ficou responsável pelo Credcesta, um cartão de benefícios destinado a servidores públicos municipais e estaduais. Inicialmente disponível na Bahia, o produto rapidamente se expandiu para todo o Brasil em colaboração com o Banco Master.
Um requerimento da CPMI do INSS mencionou a quebra de sigilo bancário de Lima, revelando que a ampliação do Credcesta transformou o cartão em um produto de crédito consignado. Esse modelo se espalhou pelo país, integrando carteiras de investimentos de fundos e outras instituições financeiras.
Entretanto, o documento alerta que uma parte significativa desses créditos oferecidos a aposentados e pensionistas não estava devidamente reportada às autoridades. Além disso, muitos não tinham a estrutura necessária para operar de acordo com as normas vigentes.
Administração do Banco Pleno
Antes de assumir o controle do Banco Pleno, Lima já havia exercido a função de CEO do Banco Master. A autorização do Banco Central para sua administração no Banco Pleno foi concedida em julho de 2025.
De acordo com o blog de Valdo Cruz, Lima também foi quem buscou Ricardo Lewandowski para atuar como consultor jurídico do Banco Master, com a intermediação de Jaques Wagner. Além disso, participou de uma reunião entre Daniel Vorcaro e o presidente Lula no final de 2024, evidenciando sua influência no setor.
Liquidação do Banco Pleno
A liquidação do Banco Pleno e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM) foi oficialmente anunciada pelo Banco Central na última quarta-feira (18). O BC apontou que o conglomerado tinha uma participação irrisória no sistema financeiro nacional, representando apenas 0,04% dos ativos totais do setor, que somavam mais de R$ 18 trilhões, ou aproximadamente R$ 7,6 bilhões.
Em termos de captações, sua participação se resumia a 0,05% do total, que ultrapassava R$ 13 trilhões, correspondendo a cerca de R$ 6,5 bilhões. Para o Banco Central, a decisão pela liquidação foi necessária devido ao agravamento das condições econômico-financeiras do Banco Pleno, que enfrentava dificuldades para cumprir suas obrigações cotidianas.
O BC também destacou o descumprimento de normas e determinações que regem a atividade da instituição financeira. Segundo a nota oficial, “A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil.”
O Processo de Liquidação Extrajudicial
A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central determina o encerramento das atividades de uma instituição que não apresenta condições de operar adequadamente. Nesse processo, um liquidante assume o controle, fecha as operações, vende os ativos e garante o pagamento aos credores conforme a legislação vigente, até que a instituição seja extinta. Vale mencionar que, com a liquidação, os bens dos controladores e administradores ficam indisponíveis.
O BC afirmou que continuará a investigação para apurar responsabilidades, o que pode resultar em sanções administrativas e encaminhamentos a outras autoridades. Essa situação levanta preocupações sobre a regulação e a supervisão no setor financeiro brasileiro.
