O Impacto da Menor Oferta de Cebola
A cebola se destacou como o produto com maior crescimento percentual nos preços em Minas Gerais, registrando uma alta de 34,33% entre os meses de novembro e dezembro de 2025. Essa elevação significativa no preço, que agora chega a R$ 2,44 por quilo, está diretamente ligada à diminuição da oferta do vegetal, especialmente nos estados do Sul do Brasil. O resultado disso é um encarecimento no transporte da cebola para as Centrais de Abastecimento (Ceasa) de outras regiões do país, conforme explica Flávia Starling, gerente de produtos hortigranjeiros da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Além da cebola, outros produtos também tiveram aumentos expressivos. A batata subiu 27,81%, enquanto o mamão registrou um incremento de 19,66%. Esses dados foram revelados no Boletim Hortigranjeiro de janeiro de 2026, divulgado recentemente pela Conab, que monitora os preços de dez itens em Ceasas, incluindo a de Belo Horizonte.
Quedas nos Preços de Frutas e Hortaliças
Por outro lado, o relatório também aponta quedas nos preços de alguns produtos. A maçã foi a que mais se destacou, com uma redução de 6,92% em seu valor. Outros itens que apresentaram retração foram a alface e a laranja, com variações de -6,09% e -1,86%, respectivamente.
A gerente da Conab, Flávia Starling, detalhou que a diminuição no preço da maçã pode ser atribuída a vários fatores, como a queda na demanda por conta das férias escolares e a concorrência com outras frutas, que se tornaram mais acessíveis no período. Esses fatores contribuíram para que o preço médio da maçã na Ceasa Minas fosse de R$ 8,10, em contraste com a tendência de alta observada em outras partes do Brasil, onde o preço médio é de R$ 9,03.
Batata e Mamão: Alternativas e Impactos Climáticos
O aumento no preço da batata em Minas é também um reflexo da menor oferta local, forçando o mercado a buscar alternativas em outros estados. De acordo com Flávia, a participação da batata mineira na comercialização caiu de 95% para 60%, enquanto estados como Bahia e Paraná passaram a fornecer 10% e quase 20% do total, respectivamente. O preço do tubérculo ficou em R$ 1,90 por quilo.
Já a elevação do preço do mamão, que alcançou R$ 4,75, foi influenciada pelas condições climáticas adversas, especialmente as chuvas intensas que prejudicaram a produção. Além disso, outros produtos como cenoura (1,77%), tomate (5,27%), banana (10,82%) e melancia (10,24%) também apresentaram aumentos nos preços em Minas Gerais no último mês de 2025.
Abastecimento Local e Qualidade dos Produtos
A baixa no preço da alface, que agora custa R$ 7,12 o quilo, é atribuída ao abastecimento quase total proveniente das produções locais, o que diminui os custos de transporte. A variação de preços, segundo Flávia, é influenciada por fatores como a quantidade disponível e a qualidade dos produtos, que neste caso, não atenderam às expectativas devido às chuvas.
Em relação à laranja, a queda de 1,86% no preço se deveu à diminuição das exportações de suco e ao aumento na oferta de frutas de mesa, que são consumidas in natura. O quilo da laranja foi comercializado a R$ 2,48 na Ceasa Minas.
Conclusão: O Cenário Agrícola Mineiro
O cenário atual do mercado agrícola em Minas Gerais é reflexo de uma combinação de fatores como oferta, demanda e condições climáticas. O aumento generalizado nos preços de alguns produtos contrasta com a diminuição em outros, destacando a complexidade do setor. Com isso, as negociações e o abastecimento devem continuar sendo monitorados para entender as próximas variações no mercado.
