O Show de Bad Bunny que Dividiu Opiniões
Bad Bunny, o renomado artista latino e atualmente um dos mais escutados no mundo, foi a estrela do show do intervalo do Super Bowl, um dos eventos mais esperados do entretenimento global. No entanto, a apresentação se transformou em uma questão política nos Estados Unidos, especialmente devido às críticas do ex-presidente Donald Trump, que não hesitou em expressar sua indignação.
Esse embate vai além da música e toca em temas relevantes, como a política de imigração implementada por Trump e a celebração da identidade latino-americana, um aspecto central em seu álbum mais recente, ‘Debí Tirar Más Fotos’, que recebeu diversos prêmios.
O anúncio de Bad Bunny como atração principal foi feito em 28 de setembro de 2025 e teve uma resposta imediata de Trump. Em suas declarações, o então presidente classificou a escolha como “absolutamente ridícula” e afirmou que nunca havia ouvido falar do cantor, acusando-o de “espalhar ódio” através de suas letras e mensagens.
As falas de Trump repercutiram nos meios de comunicação e nas redes sociais, causando um alvoroço entre os fãs e apoiadores do artista.
A Influência de Bad Bunny na Política Americana
A importância do assunto também se dá pelo fato de que Bad Bunny é conhecido por sua posição política voltada à valorização da cultura latina e por suas críticas à política anti-imigração promovida pelo governo Trump. Em uma de suas intervenções na cerimônia do Grammy, onde levou para casa três prêmios, o cantor expressou sua indignação em relação ao ICE, os agentes do Serviço de Imigração e Fronteira dos EUA, soltando um “Fora, ICE” durante seu discurso.
Antes do Super Bowl, um assessor da Casa Branca chegou a insinuar que os agentes de imigração poderiam ser enviados ao estádio onde ocorreu o evento, algo sem precedentes na história do país. Apesar de não terem registrado operações na entrada do evento, a declaração foi vista como uma tentativa de intimidar o grande público latino que compareceu para ver Bad Bunny.
Além disso, aliados de Trump também criticaram o fato de que o show foi majoritariamente em espanhol, levantando questões sobre identidade nacional e o que significa ser parte da “cultura americana”.
Bad Bunny e a Celebração da Identidade Latina
Originário de Porto Rico, Benito Antonio Ocásio Martínez, conhecido artisticamente como Bad Bunny, é um defensor fervoroso da cultura latina. Ele se recusa a falar uma língua que não seja o espanhol em seus shows e entrevistas, refletindo uma postura política clara: trazer à tona a importância do idioma que predomina na maioria da América Latina.
Em seu mais recente álbum, Bad Bunny aborda as complexidades do status político de Porto Rico, um território dos Estados Unidos. Os porto-riquenhos, apesar de cidadãos americanos, não têm direito a voto nas eleições federais e são frequentemente marginalizados nas discussões políticas. A canção “Lo que le pasó a Hawaii” aborda os protestos e a luta pela autonomia da ilha, refletindo uma crítica profunda à situação atual.
Especialistas apontam que a rivalidade entre Trump e Bad Bunny simboliza um choque de visões sobre o futuro dos Estados Unidos: de um lado, um presidente que defende uma identidade nacionalista e homogênea; do outro, um artista que propõe a valorização da cultura latina e suas raízes. Esse contraste é emblemático e se reflete na luta por dignidade e respeito às pessoas que buscam melhores oportunidades, muitas vezes deixando suas terras natais.
Assim, o show de Bad Bunny no Super Bowl não foi apenas uma apresentação musical, mas uma plataforma significativa para debates sobre identidade, imigração e cultura nos Estados Unidos.
