Investigação Aprofundada sobre o Banco Master
Um relatório recente do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) encaminhado à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado no Senado traz à tona detalhes alarmantes sobre as operações do Banco Master. O documento, datado de março, indica a utilização de dinheiro em espécie, garantias inflacionadas e a destinação de recursos a empreendimentos relacionados a Nelson Tanure, que está sob investigação pela PF (Polícia Federal) devido a possíveis irregularidades.
A legislação vigente exige que instituições financeiras reportem transações de grande porte ou que apresentem indícios de atividades suspeitas. O RIF (relatório de inteligência financeira) é uma ferramenta amplamente empregada em investigações da PF e do MPF (Ministério Público Federal), além de CPIs, por oferecer informações detalhadas sobre transações financeiras significativas.
O relatório, que abrange o período de 2022 a 2025, destaca operações financeiras em espécie que superam os limites estabelecidos por normas específicas. Essas operações indicam o uso de dinheiro vivo durante algumas transações, conforme revelado por investigadores que analisaram o caso.
Procurada para comentar sobre as alegações, a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro não se manifestou, apesar das tentativas de contato via e-mail e WhatsApp. Já a defesa de Tanure contestou a relação com o banco, afirmando que ele foi apenas cliente nos últimos anos, sem qualquer participação oculta.
Casos Suspensos e o Empréstimo da BTG Empreendimentos
Entre os casos registrados no RIF, destaca-se uma operação de R$ 468,8 milhões realizada pela BTG Empreendimentos, uma empresa de Campo Grande especializada em terraplanagem e aluguel de máquinas. Essa operação, realizada em setembro de 2024, mencionou a utilização de recursos em espécie, levantando ainda mais questões sobre a transparência das transações.
Uma reportagem anterior da Folha já havia exposto que 36 empresas estavam envolvidas em empréstimos suspeitos com o Banco Master, com a BTG Empreendimentos figurando novamente na lista. Os recursos obtidos por meio desses empréstimos teriam sido direcionados para os fundos DMais e Bravo, sob a administração de João Carlos Mansur, levantando suspeitas sobre a origem e a aplicação dessas quantias.
Além disso, o RIF menciona operações envolvendo Marcelo Cohen, proprietário da Belvitur Viagens, totalizando R$ 6 milhões em março de 2024. A BeFly, empresa ligada a Cohen, afirmou que o empréstimo foi realizado de maneira regular, com garantias adequadas e dentro da legislação.
Transações Irregulares e Garantias Inflacionadas
Um dos pontos mais intrigantes do relatório refere-se a uma operação de R$ 387,3 milhões entre o Banco Master e a SI 02 – Empreendimentos e Incorporações Imobiliárias. A análise do Coaf aponta que o valor da transação é incompatível com o porte da empresa, que possui um capital social de apenas R$ 2.000. O relatório destaca que 231 imóveis foram oferecidos como garantia, com avaliações significativamente superiores aos valores de mercado, indicando possíveis irregularidades.
Outra operação, de R$ 410,9 milhões, foi registrada com a mesma empresa em fevereiro de 2024. Tentativas de contato com a SI 02 para esclarecimentos não obtiveram resposta, evidenciando a dificuldade em obter informações sobre essas transações suspeitas.
Adicionalmente, o relatório menciona operações envolvendo a Lormont Participações, de Tanure, e a WNT Gestora de Recursos, somando cerca de R$ 500 milhões. Segundo a Polícia Federal, existem indícios de que Tanure possa ter atuado como sócio oculto do Banco Master, o que levanta ainda mais preocupações sobre a complexidade das relações financeiras e societárias verificadas.
Em resposta, a defesa de Tanure afirmou que todas as transações realizadas foram feitas de forma legítima e transparente, ressaltando a ausência de qualquer irregularidade. A WNT, por sua vez, declarou que atuou dentro dos parâmetros legais, sem qualquer vínculo societário com Tanure.
