Boicote Crescente aos Produtos dos EUA
Durante um protesto que aconteceu em Copenhague no último dia 17 de janeiro de 2026, uma mulher usava um boné que exibia a frase provocativa: “Faça a América ir embora”. A manifestação é um reflexo de um movimento crescente na Dinamarca, onde a insatisfação com a política de Donald Trump gerou um boicote a produtos americanos. Esse boicote, impulsionado por novos aplicativos, tem mobilizado a população dinamarquesa a reconsiderar suas compras.
Um dos aplicativos que tem feito sucesso é o UdenUSA, que significa “Sem EUA” em tradução livre. Criado pelo jovem dinamarquês Jonas Pipper, de apenas 21 anos, em parceria com o amigo Malthe Hensberg, o aplicativo foi inspirado por uma ameaça do presidente dos Estados Unidos de assumir o controle da Groenlândia, território que pertence à Dinamarca. Essa declaração provocou uma onda de descontentamento e protestos em todo o país.
O UdenUSA foi desenvolvido para ajudar os consumidores a escanearem itens alimentícios com seus smartphones, permitindo identificar a origem dos produtos. Segundo Pipper, muitos dinamarqueses desejam evitar a compra de alimentos dos Estados Unidos, mas encontram dificuldades em reconhecer a procedência nos supermercados. O aplicativo resolve essa questão, indicando de onde vem o produto e sugerindo alternativas de produtores europeus.
Na última quarta-feira, 21 de janeiro, o UdenUSA conquistou o primeiro lugar entre os aplicativos gratuitos disponíveis na App Store na Dinamarca. Essa crescente popularidade mostra como iniciativas de boicote estão se tornando uma maneira efetiva de expressão contra políticas comerciais que não agradam a muitos dinamarqueses.
Um Movimento em Expansão
O boicote a produtos dos EUA não é uma ação isolada. Durante o ano passado, outros aplicativos semelhantes surgiram, reforçando a tendência de rejeição a itens americanos. Além disso, redes de supermercados dinamarquesas começaram a marcar os produtos de origem europeia com uma estrela nas etiquetas de preço, facilitando a escolha consciente por parte dos consumidores.
Entretanto, a extensão do impacto desse boicote ainda é incerta. A economia dinamarquesa, embora estável, é relativamente pequena, e uma quantidade limitada de produtos alimentícios é importada diretamente dos EUA. Portanto, mesmo que uma fração significativa da população decida evitar esses produtos, as consequências econômicas ou políticas podem ser mínimas.
Conforme destacou Sascha Raithel, professor de marketing da Universidade Livre de Berlim, “é improvável que um boicote em larga escala tenha repercussões significativas”, dado o tamanho da economia dinamarquesa e a escala das importações americanas. Contudo, esse movimento de boicote poderá servir como um alerta sobre a insatisfação popular em relação às políticas de comércio internacional.
O boicote, segundo analistas, não apenas reflete preocupações econômicas, mas também um desejo mais amplo de afirmar a identidade nacional dinamarquesa em um cenário global cada vez mais polarizado. Enquanto isso, os dinamarqueses continuam a explorar novas maneiras de manifestar suas opiniões e fortalecer o comércio local.
