Transformação da BR-381
A transformação da tão falada “Rodovia da Morte” em um corredor de eficiência avançou significativamente em dezembro. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou a concessionária Nova 381 a iniciar os estudos de viabilidade para aumentar a capacidade de um trecho crucial: os 70 quilômetros que conectam Governador Valadares e Belo Oriente. O principal objetivo é lidar com os gargalos logísticos e, acima de tudo, reduzir os alarmantes índices de acidentes em uma das rodovias mais perigosas de Minas Gerais.
Essa iniciativa vai além de simplesmente aplicar asfalto novo. O trecho sob concessão é fundamental para o escoamento da produção de um dos maiores polos siderúrgicos do Brasil. Ao desbloquear o fluxo entre Belo Horizonte e Valadares, o projeto gera efeitos positivos em cadeia, melhorando a conexão com a BR-116 e facilitando o acesso a portos e importantes centros econômicos do Nordeste e Sudeste. Além disso, a nova infraestrutura promete reduzir custos de frete e o tempo de deslocamento para cargas pesadas, o que é uma excelente notícia para o setor logístico mineiro.
A velocidade com que os estudos estão sendo realizados reflete o ritmo de investimentos que a Nova 381 tem imposto desde que assumiu o contrato em fevereiro deste ano. No primeiro ano de operação, foram injetados R$ 320 milhões, e a previsão é que, em 30 anos, esse valor alcance a impressionante soma de R$ 9,5 bilhões. “A decisão é resultado da sensibilidade da ANTT em buscar soluções técnicas imediatas para beneficiar os usuários da rodovia. Estamos mobilizados para entregar o estudo no prazo mais breve possível”, afirma Marcelo Boaventura, diretor-presidente da Nova 381.
Força da Fruticultura Mineira
Outro setor que demonstra crescimento e importância é a fruticultura em Minas Gerais, que alcançou um Valor Bruto de Produção de R$ 5 bilhões. Dados da Emater-MG ressaltam que 38% desse montante provém da agricultura familiar, gerando cerca de meio milhão de empregos no estado. Para garantir a continuidade desse crescimento, o Circuito Frutificaminas encerrou o ano atualizando os produtores em tecnologias de irrigação e acesso ao crédito rural. Desde sua criação, o Circuito Frutificaminas realizou 139 eventos em todo o estado e, neste ano, capacitou 125 extensionistas para levar inovação ao campo.
“Não bastam apenas as potencialidades naturais. É preciso investir em capacitação, parcerias, políticas públicas e assistência técnica contínua”, destaca Deny Sanábio, coordenador técnico estadual de Fruticultura da Emater-MG.
Inovação na Nutrição Infantil
No segmento de nutrição infantil, uma nova startup mineira promete revolucionar o mercado que há décadas é dominado por grandes multinacionais. A Harmony Baby Nutrition, idealizada pelo farmacêutico Wendel Afonso, formado pela UFMG, recebeu um investimento de R$ 31 milhões do Finep-BNDES para implementar um centro de pesquisa avançada em Belo Horizonte. O objetivo é desenvolver fórmulas bioidênticas ao leite materno utilizando tecnologia de DNA recombinante, eliminando açúcares em excesso e ingredientes industriais.
“Estamos posicionando o Brasil como líder global em inovação humanizada”, afirma Wendel Afonso, CEO da Harmony. O novo centro deve estar em funcionamento no primeiro semestre de 2026 e promete gerar 25 postos de trabalho, incluindo oportunidades para cientistas com mestrado e doutorado em nutrição infantil.
Crédito Recorde para Minas Gerais
O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) faz história ao alcançar R$ 4 bilhões em financiamentos para empresas e prefeituras mineiras em um único ano. Esse valor representa um aumento de 33% em relação ao ano anterior. Nos últimos cinco anos, as liberações totalizaram R$ 15 bilhões, com 5.200 empresas sendo beneficiadas em 2025, 75% das quais localizadas fora da Região Central de Minas. Para o agronegócio, os créditos liberados este ano somaram R$ 1,1 bilhão, um aumento de 30% em comparação a 2024.
“O resultado de 2025 é inédito. Nos últimos três anos, temos superado números que já eram históricos. Este ano, adotamos estratégias eficazes, como a redução das taxas de juros”, comenta Gabriel Viégas Neto, presidente do BDMG.
Otimismo Entre Empresários
Os empresários de Belo Horizonte encerram o ano com um otimismo renovado. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), elaborado pela Fecomércio MG e CNC, voltou a subir em dezembro, alcançando 101 pontos. Embora 76,3% dos entrevistados tenham uma visão crítica do cenário econômico, a expectativa positiva para as vendas de fim de ano, impulsionada pelo 13º salário e promoções, foi fundamental para essa recuperação na confiança. Os dados mostram que empresas de maior porte, com mais de 50 empregados, apresentam um índice de 106,5 pontos, em comparação aos 100,9 pontos das menores empresas.
Os setores de bens semiduráveis e não duráveis estão à frente nesse otimismo, com 106,6 pontos, enquanto os bens duráveis, como eletrodomésticos e móveis, ainda enfrentam pessimismo, com apenas 91,4 pontos.
“É comum que, ao retornar às lojas para trocar mercadorias, o consumidor acabe comprando novos itens ou complementando suas compras, o que torna o período estratégico para o varejo ampliar o faturamento”, conclui Marcelo de Souza e Silva, presidente da CDL/BH, ao falar sobre as expectativas de vendas no final do ano.
