Brasil se Destaca em Estabilidade Econômica
Durante evento promovido pelo Banco Safra em São Paulo nesta segunda-feira (30), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o Brasil está melhor posicionado para enfrentar os impactos da guerra no Oriente Médio em comparação a outras economias similares. Segundo Galípolo, o país apresenta uma situação financeira e de endividamento mais saudável do que seus pares, o que é crucial diante dos riscos e choques que têm afetado o cenário global nos últimos anos.
“Todos prefeririam estar em um ambiente livre de riscos, mas, até o momento, o Brasil parece estar em uma posição relativamente mais vantajosa”, comentou o presidente do BC, ressaltando a resiliência do país frente a um contexto econômico desafiador.
Galípolo também abordou o aumento da dívida global, um fenômeno que, segundo ele, foi intensificado pela pandemia de Covid-19. No entendimento do presidente da autoridade monetária, embora países desenvolvidos tenham realizado mais gastos em comparação aos emergentes, foi o aumento dos custos de rolagem da dívida que impactou de maneira mais severa as economias em desenvolvimento.
No que tange ao crédito corporativo, Galípolo fez referência aos pedidos de recuperação extrajudicial da Raízen e do GPA, sinalizando que as dificuldades enfrentadas pelo setor não se devem a um único fator, mas a uma confluência de problemas, incluindo falhas de governança, questões estruturais e os efeitos do ciclo de juros.
Atualmente, a taxa Selic, que é a taxa de juros básica do Brasil, está fixada em 14,75% ao ano. Essa decisão foi tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) no último dia 18, quando ocorreu uma redução de 0,25 ponto percentual, marcando assim a primeira queda sob a gestão de Galípolo. Essa mudança acontece em meio a um cenário repleto de incertezas em relação ao conflito no Irã.
A reflexão de Galípolo sobre os efeitos da política monetária destacou a importância de avaliar se as medidas adotadas estão realmente contribuindo para a estabilização econômica. “A pergunta essencial é: o paciente estaria melhor com ou sem o tratamento?” disse ele, questionando como estaríamos diante de um choque de oferta, caso a inflação não estivesse no patamar atual. Ele observou que, embora a política monetária gere restrições no acesso ao crédito, os efeitos observados têm sido comportados diante do nível de restrição imposto.
Outro ponto crucial abordado por Galípolo foi a urgência em discutir a produtividade no Brasil. Para ele, esse é um tema central que deve ser explorado para fomentar o desenvolvimento do país. O presidente do BC afirmou que o modelo de crescimento brasileiro tem se apoiado em incentivos à demanda, impulsionada pela expansão do crédito e por aumentos reais na remuneração, que superam os ganhos em produtividade. Ele enfatizou a necessidade de promover avanços estruturais que melhorem a eficiência produtiva do país.
“Precisamos refletir sobre quais políticas podem tornar o Brasil um ambiente mais atrativo para atrair investimentos, tanto nacionais quanto estrangeiros, que contribuam para o aquecimento da economia”, concluiu.
