Aumento de Casos e Importância da Conscientização
Nos últimos anos, a discussão sobre câncer infantil tem ganhado destaque, refletindo uma realidade alarmante. Dados do Painel Oncologia Brasil, do Ministério da Saúde, indicam que, em 2025, foram contabilizados quase 12 mil novos diagnósticos (11.984) de câncer em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos em todo o Brasil. O ano anterior, 2024, apresentou um número ainda mais elevado, com 15.811 registros. Essas informações foram compiladas pela Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Sobrasp) em 15 de janeiro de 2026.
Dia Internacional contra o Câncer Infantil
O próximo dia 15 de fevereiro marca o Dia Internacional contra o Câncer Infantil, uma data crucial que reforça a necessidade de conscientização, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento adequado. Segundo Tiago Dalcin, pediatra e membro da Sobrasp, “o enfrentamento do câncer infantojuvenil começa com informação e atenção aos sintomas, garantindo segurança no cuidado e qualidade de vida para as crianças, adolescentes e suas famílias”.
Entendendo o Câncer Infantojuvenil
O câncer infantojuvenil costuma afetar, de forma predominante, células do sangue e tecidos de sustentação, correspondendo a aproximadamente 3% de todos os casos de câncer no Brasil. Em geral, por ser composto majoritariamente por células embrionárias indiferenciadas, este tipo de câncer tende a responder melhor aos tratamentos. As causas ainda não são totalmente compreendidas, mas cerca de 10% dos casos estão relacionados a alterações genéticas ou hereditárias.
Principais Tipos e Sintomas do Câncer Infantil
Entre os tumores mais comuns na infância e adolescência, destacam-se as leucemias, que impactam os glóbulos brancos; os tumores do sistema nervoso central e os linfomas, que afetam o sistema linfático. Os sintomas do câncer em crianças podem se assemelhar aos de doenças mais comuns, o que torna a detecção um desafio. “É fundamental investigar sinais persistentes que não tenham explicação clínica, como palidez, hematomas, dor óssea, caroços ou inchaços indolores, perda de peso inexplicada, tosse constante, sudorese noturna e dificuldade para respirar”, esclarece o pediatra.
A leucemia se destaca como o câncer mais frequente entre crianças e adolescentes, representando cerca de 30% dos diagnósticos nessa faixa etária. Os principais tipos de câncer nessa categoria incluem:
- Leucemias: Como a Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), que é um câncer da medula óssea.
- Tumores do Sistema Nervoso Central (SNC): Incluindo o meduloblastoma, que pode causar dores de cabeça e vômitos.
- Linfomas: Tumores que afetam o sistema linfático.
- Neuroblastoma: Tumor que impacta células nervosas, frequentemente localizado no abdômen.
- Sarcomas: Como o esteossarcoma, que afeta os ossos longos, e o rabdomiossarcoma, que atinge pernas e braços.
- Retinoblastoma: Câncer ocular raro, com alta incidência em crianças menores de 5 anos.
Taxa de Incidência em Minas Gerais
Os dados do Datasus revelam que a taxa de incidência de câncer infantojuvenil varia significativamente entre as regiões do Brasil. Especificamente em Minas Gerais, foram registrados 988 novos diagnósticos entre crianças e adolescentes em 2025, um número menor que os 1.409 casos registrados em 2024. Essas informações foram também extraídas do Datasus em 15 de janeiro de 2026.
Desafios e Impactos na Rotina Familiar
O câncer infantil não é apenas uma questão médica; ele gera um impacto social e emocional profundo, afetando diretamente a rotina das famílias. Muitas vezes, os responsáveis precisam se dedicar integralmente ao cuidado da criança, o que pode acarretar afastamento do trabalho e longas viagens em busca de tratamentos especializados. “Cuidar de crianças com câncer vai muito além do tratamento da doença. É um trabalho que envolve uma equipe multiprofissional, visando a diminuição dos impactos físicos e emocionais do tratamento”, finaliza Dalcin.
