Expectativas e Estratégias para as Eleições
Na última quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez declarações que acirram o clima político em torno das próximas eleições em São Paulo. De acordo com Lula, tanto o atual vice-presidente Geraldo Alckmin quanto o ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) e a ministra do Planejamento Simone Tebet (MDB) estão sendo considerados como possíveis candidatos para a disputa ao governo do estado. Ele enfatizou a necessidade de uma definição em um cenário político que é considerado estratégico para as eleições de 2024.
— Temos muitos votos em São Paulo e podemos vencer as eleições. Embora eu ainda não tenha conversado com Haddad ou Alckmin sobre isso, eles entendem que têm um papel a desempenhar nesse contexto. A Simone também tem sua importância — afirmou Lula em uma entrevista ao Portal UOL.
Movimentações de Bastidores
Segundo informações de membros do governo, Lula deixou claro que é hora de colocar todas as cartas na mesa, sem descartar nenhum cenário eleitoral. Um assessor próximo ao presidente comentou que Lula está aberto à possibilidade de que Alckmin se lance na disputa ao governo do estado. A expectativa é que as decisões sobre candidaturas sejam tomadas apenas na metade do ano, o que deixa Alckmin em uma posição delicada, já que ele precisa deixar o Ministério da Indústria e Comércio até o início de abril.
Um grupo de lideranças do PT acredita que só afastaria Alckmin da chapa se isso fosse para assegurar o apoio do MDB, embora essa aliança seja considerada difícil no momento. Por outro lado, aliados de Alckmin minimizaram a declaração de Lula, sugerindo que o presidente apenas estava incentivando a articulação política no estado. Nos bastidores, o próprio Alckmin tem demonstrado ceticismo quanto ao interesse de Lula em vê-lo como candidato ao governo estadual.
Pessoas próximas ao vice-presidente afirmam que os eleitores que anteriormente apoiavam Alckmin agora estão mais alinhados com o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o que diminui a identificação com Alckmin devido à sua aliança com o PT. Assim, Alckmin acredita que poderá ter um papel mais relevante no cenário nacional do que na disputa pelo governo de seu estado natal.
Haddad e Tebet: Candidaturas em Análise
Fernando Haddad, enquanto isso, tem reforçado que não deseja ser candidato em 2024, mas vem sendo pressionado por seus correligionários a considerar a disputa em São Paulo. O PT está preocupado com a possibilidade de um candidato da oposição ao Palácio do Planalto ganhar uma vantagem significativa no estado, o que poderia ocorrer se não houver uma forte candidatura local. É importante lembrar o desempenho de Haddad em 2022, quando ele conseguiu levar a eleição contra Tarcísio para o segundo turno e ajudou a manter Lula competitivo nas urnas.
Em relação a Simone Tebet, a ministra pode deixar o MDB para tentar uma vaga no Senado por São Paulo. O diretório paulista de seu partido tem uma relação próxima com o bolsonarismo, o que a coloca em uma posição estratégica. Ela já recebeu convites para se filiar ao PSB, que poderia oferecer melhores perspectivas para sua candidatura.
Lula acredita firmemente que a escolha do candidato certo para o governo de São Paulo pode garantir uma vitória nas eleições. Em suas palavras:
— Se escolhermos um candidato forte como Alckmin ou Haddad, ou mesmo a Simone Tebet, temos grandes chances de ganhar em São Paulo. É fundamental lembrar quem fez mais pela política social no estado — disse o presidente.
Possíveis Nomes para a Chapa Presidencial
Se um acordo entre o PT e o MDB for concretizado, os nomes mais cotados para a vice-presidência são Renan Filho e Helder Barbalho, ambos com planos de disputas em seus próprios estados. O MDB historicamente enfrenta divisões regionais, como demonstraram as alianças anteriores com a reeleição de Dilma Rousseff em 2010 e 2014.
Haddad continua a ser pressionado por figuras proeminentes do partido, como Camilo Santana e Gleisi Hoffmann, a se candidatar em outubro, mas ele resiste a essa pressão, preferindo focar na coordenação da campanha à reeleição de Lula. Recentemente, ele mencionou que será necessário um convencimento mútuo sobre sua candidatura.
Proposta de Mandato para o STF
Lula também reiterou sua defesa pela implementação de mandatos para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), um tema que, segundo ele, nada tem a ver com a tensão atual entre os Poderes, que se intensificou após os atos golpistas do 8 de janeiro. Ele lembrou que essa proposta já constava nas plataformas de 2018 e 2022 do partido.
— Não é justo que um ministro entre aos 35 anos e permaneça até os 75. Esse é um tempo excessivo — argumentou Lula, destacando que a decisão sobre essa mudança deve ser discutida no Congresso.
Os Nomes no Radar para Minas Gerais
No que diz respeito à disputa pelo governo de Minas Gerais, Lula manifestou seu apoio ao senador Rodrigo Pacheco como candidato. Pacheco, que atualmente está filiado ao PSD, planeja trocar de partido por uma articulação com o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre. Segundo Lula:
— Não desisti de você, Pacheco. Vamos ter uma conversa. Acredito que você pode ser o futuro governador de Minas Gerais.
Essa mudança de partido de Pacheco, que deve ocorrer após o carnaval, é uma resposta às recentes movimentações dentro do PSD que visam construir uma candidatura forte contra o atual governador Romeu Zema.
