Desconfiança e Riscos na Candidatura de Flávio
A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto, mesmo com o apoio explícito de Jair Bolsonaro, continua a gerar ceticismo entre aliados e figuras tradicionais do universo político. As incertezas vão além da disposição do filho do ex-presidente em levar adiante sua proposta; elas se estendem à capacidade do clã bolsonarista de mobilizar um ambiente político que possa efetivamente desbancar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do cargo mais alto do país.
Apesar de manter um perfil discreto, os sinais de descontentamento no Centrão e no próprio PL estão se tornando evidentes. A sensação de improviso em relação à campanha de Flávio é alimentada por comentários sussurrados entre críticos, que estão sempre à espreita de qualquer movimento que possa ser utilizado como argumento contra a candidatura. Por exemplo, a recente busca do presidenciável por um marqueteiro com experiência na área chamou a atenção e não passou desapercebida.
A escolha de expor publicamente a carência de uma equipe de campanha mais profissional foi vista como um sinal de fraqueza. Um aliado próximo chegou a fazer uma piada de mau gosto, dizendo que Flávio estava recrutando novos profissionais “no LinkedIn”, ressaltando assim a fragilidade de sua posição no cenário político.
Mais Desconfiança no Cenário Político
Outro aspecto que gera apreensão entre seus aliados é o risco jurídico que uma candidatura apresenta. Caso Flávio não tenha sucesso em sua corrida pelo Planalto, ele perderá o foro privilegiado que atualmente é garantido aos congressistas. Essa situação é um revés para a estratégia que Jair Bolsonaro adotou durante sua presidência, tentando blindar seus filhos de investigações.
Para os que observam a candidatura do senador com desconfiança, mesmo os elogios públicos recentes de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em apoio a Flávio não são suficientes para descartar a possibilidade de mudanças nos planos relacionados à chapa apoiada por Jair Bolsonaro. O Centrão continua a apostar em Tarcísio, que, ao contrário do primogênito de Bolsonaro, pode se distanciar do extremismo da direita, buscando diálogo com eleitores mais moderados e insatisfeitos com o atual governo.
Os aliados do que poderia ser chamado de “time dos desconfiados” apontam Gilberto Kassab como um exemplo de quem ainda apóia Tarcísio em sua candidatura. O líder do PSD, que já fez parte do governo paulista, fez uma declaração que ecoa como um alerta: “gratidão não se confunde com submissão”. Essa frase deixa claro que a decisão de Bolsonaro de lançar seu filho ao Planalto não obriga os partidos de direita e centro-direita, incluindo o PSD, a seguirem rigidamente o plano delineado pelo ex-presidente.
Ao mesmo tempo, a movimentação em torno da candidatura de Flávio continua a ser monitorada de perto, tanto por apoiadores quanto por críticos. As incertezas que permeiam sua trajetória política podem ser um indicativo de que os desafios enfrentados pelo clã Bolsonaro estão longe de ser resolvidos. Se a busca por um marqueteiro é um sinal de fragilidade ou de um esforço genuíno para fortalecer sua campanha, o tempo dirá, mas o ambiente político parece cada vez mais adverso.
