A Escolha de Flávio e os Desafios de Bolsonaro
Condenado pelo STF e inelegível até 2060, Jair Bolsonaro, mesmo preso, se mantém ativo no cenário político brasileiro, visando as eleições de 2026. A decisão de lançar seu filho, Flávio Bolsonaro, como candidato à presidência representa uma estratégia arriscada, desconsiderando os altos índices de rejeição ligados ao sobrenome da família. Este movimento busca conservar a influência eleitoral da direita no Brasil.
A preocupação com a perda de relevância política após sua prisão é palpável entre os aliados de Bolsonaro. Segundo eles, o ex-presidente não abrirá mão da candidatura de Flávio, esperando que, mesmo atrás das grades, ele continue a ser um protagonista na articulação política da direita no cenário eleitoral. Essa situação revela uma ironia considerável, já que, anos atrás, Lula era criticado por coordenar o PT do interior da cela.
Desafios na Articulação Política
No entanto, a realidade até o final de 2025 não se alinha às expectativas do ex-presidente e de seus apoiadores. Apesar de proclamarem apoio a Bolsonaro, líderes do Centrão ainda hesitam em abraçar a candidatura de Flávio para a corrida presidencial. Essa relutância é interpretada como um sinal de fraqueza nas articulações políticas do ex-presidente, que se vê em uma posição delicada.
O capital eleitoral de Jair Bolsonaro, por sua vez, permanece um ativo valioso no cenário político. A maioria dos representantes da direita deseja se alavancar a partir do apoio dele. No entanto, mesmo no Centrão, há uma análise crítica sobre a candidatura de Flávio, que pode sim chegar ao segundo turno, mas enfrentaria grandes desafios devido à sua alta rejeição entre os eleitores.
A Corrida para o Senado
Além das eleições presidenciais, o ex-presidente também precisará direcionar sua atenção para as eleições ao Senado, que em 2026 renovarão dois terços das cadeiras na Casa. O desejo do bolsonarismo é eleger um grupo robusto de senadores que, a partir de 2027, possam retaliar os ministros do STF que, segundo eles, têm agido contra o ex-presidente. Para isso, a família Bolsonaro está se preparando para lançar dois candidatos com grandes chances de vitória: Carlos em Santa Catarina e Michelle no Distrito Federal. Já Eduardo Bolsonaro poderá encontrar dificuldades maiores em sua candidatura.
Desafios e Apostas em 2026
No Congresso, onde o Centrão exerce grande influência, o bolsonarismo teve dificuldades em aprovar sua principal pauta em 2025: a anistia a Bolsonaro e a outros condenados pela tentativa de golpe de Estado ocorrida em 8 de janeiro. Com a perspectiva de um alinhamento dos presidentes das Casas, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, ao governo, o próximo ano pode se tornar ainda mais complicado para os aliados de primeira hora de Bolsonaro.
Se Bolsonaro decidir abrir mão da candidatura de Flávio em favor de um nome que atraia mais apoio do Centrão, como Tarcísio de Freitas, a dinâmica pode mudar. Contudo, pessoas próximas ao ex-presidente acreditam que essa troca é improvável. Assim, o ex-presidente se encontra em um cenário de “tudo ou nada”.
