O Impacto Econômico do Carnaval em BH
O Carnaval de 2024 promete movimentar até R$ 1,4 bilhão na economia de Belo Horizonte. Segundo estimativas da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), o evento manterá seu impacto significativo mesmo após os dias oficiais de festa, que se estenderão até o próximo domingo (22).
Marcelo de Souza e Silva, presidente da CDL/BH, ressalta que o chamado “Carnaval prolongado” está sustentando o fluxo de consumidores nas ruas da cidade e atraindo turistas de diversas regiões do Brasil. Grande parte desses visitantes deve permanecer na capital até o fim de semana, explorando a programação pós-carnavalesca.
Durante todos os dias de folia, aproximadamente 6,5 milhões de pessoas estiveram nas ruas de Belo Horizonte. Além disso, a expectativa é de que mais 31 blocos se apresentem entre esta sexta-feira (20) e domingo, o que deve beneficiar o comércio e o setor de serviços local.
Expectativa dos Comerciantes
Uma pesquisa realizada pela CDL/BH indica que o Carnaval se consolidou como um dos principais motores da economia belo-horizontina. A grande maioria dos empreendedores dos setores de comércio, serviços e turismo (98,9%) considera o período como positivo para os negócios. Impressionantes 95,59% deles estão otimistas quanto aos efeitos da festividade em 2026. Os comerciantes esperam que o gasto diário médio por folião alcance R$ 109,96 em produtos como alimentação, bebidas, vestuário e acessórios.
A pesquisa também revela que o investimento dos foliões em fantasias e acessórios varia entre R$ 100 e R$ 150, enquanto o gasto com bebidas pode chegar a até R$ 70 por dia. Silva, presidente da CDL, enfatiza que o Carnaval em Belo Horizonte evoluiu de um evento concentrado em poucos dias para uma temporada que atrai turistas, mantendo o consumo ativo por um período prolongado. “Isso amplia os impactos positivos para toda a economia local”, afirma.
Ele observa que mesmo depois do término das festividades no domingo, a economia tende a continuar aquecida. “Os empresários planejam reinvestir os lucros obtidos durante o evento, o que gerará mais emprego e renda”, complementa.
Setor Hoteleiro em Alta
Conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), a taxa de ocupação hoteleira em Belo Horizonte atingiu 83,5%, superando os 76% registrados em 2025. A região Centro-Sul da cidade alcançou quase 100% de ocupação, enquanto áreas como Pampulha, Norte e Belvedere também apresentaram alta demanda durante o período de folia. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a ocupação média foi de cerca de 75%.
O balanço da Associação Mineira de Hotéis de Lazer (Amihla) revela que os hotéis localizados num raio de até 100 quilômetros da capital tiveram um desempenho excepcional, com uma taxa média de ocupação de 99,43%, variando entre 94,83% e 100%. Esse crescimento é um reflexo do turismo de proximidade, favorecido pela facilidade de deslocamento rodoviário e custo logístico reduzido.
Mesmo os hotéis que ficam a mais de 100 quilômetros de Belo Horizonte registraram uma ocupação média de 94,25%, variando entre 70% e 100%. Essa diferença menciona características regionais, acessibilidade e perfis distintos de oferta, mas ainda assim demonstra uma alta demanda em praticamente todo o estado.
Carnaval: um Motor Econômico em Minas Gerais
O presidente da Amihla, Alexandre Santos, destaca que o crescimento do Carnaval em Belo Horizonte era esperado, mas o que se confirmou foi um fortalecimento consistente do turismo regional. “As festividades na capital, em grandes cidades e nos polos históricos estimulam diretamente os empreendimentos de lazer em Minas. É um ciclo virtuoso que amplia oportunidades e fortalece toda a cadeia do turismo”, comenta.
A presença de turistas é crucial para o desempenho econômico, e sua permanência prolongada deve impulsionar o movimento em estabelecimentos como bares, restaurantes e lojas. No início do ano, o governo estadual lançou a campanha “Fica mais um cadin! Em Minas, a folia não tem pressa”, incentivando mineiros e visitantes a desfrutarem da festa de maneira expandida, explorando diferentes territórios e experiências.
De acordo com informações do governo estadual, o Carnaval movimentou R$ 5,83 bilhões em setores como turismo, hotelaria, gastronomia, transporte e serviços em Minas Gerais. Esse valor representa um aumento de 10% em relação ao mesmo período de 2025, quando a movimentação foi de R$ 5,3 bilhões. Além disso, 14,9 milhões de pessoas participaram das festividades, um crescimento de 14,2% em comparação com a edição anterior. Essa informação foi divulgada pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) durante uma coletiva realizada nesta quinta-feira (19).
A Amihla destaca que o segmento hoteleiro teve uma taxa média de ocupação de 97,16% em Minas Gerais. Esse resultado reafirma a importância da hotelaria de lazer como um dos principais impulsionadores econômicos beneficiados pela festa no estado, com um destaque considerável em nível nacional.
Segundo Santos, o desempenho observado reforça o papel estratégico da hotelaria de lazer na absorção da demanda gerada pela folia. O impacto do evento ultrapassou a capital, atingindo cidades históricas e destinos de natureza e resorts em várias regiões, ampliando assim o alcance econômico da festa. O período também evidenciou a maturidade do setor, que tem se adaptado para atender a diferentes perfis de foliões e para aqueles que buscam experiências mais tranquilas. Os resultados obtidos neste ano consolidaram o Carnaval como um dos principais motores econômicos do turismo em Minas Gerais.
