Análise da Trajetória de Nikolas Ferreira
Os biólogos explicam que os paramécios, pequenos protozoários que habitam ambientes de água doce, utilizam seus milhares de cílios para criar redemoinhos, com o intuito de direcionar suas presas para uma depressão em sua superfície conhecida como sulco oral, de onde elas deslizam para a ‘boca’ do organismo. Essa dinâmica de ingestão, denominada fagocitose, oferece uma metáfora reveladora para a votação histórica de Nikolas Ferreira (PL) nas eleições de 2022 para a Câmara dos Deputados.
Em um contexto político que mescla religião, valores conservadores e um forte sentimento de indignação com a política tradicional, Nikolas Ferreira conseguiu conquistar uma parte significativa da base de eleitores de direita, especialmente em municípios onde esse eleitorado é majoritário. Ao contabilizar 1,47 milhão de votos, ele se tornou, aos 26 anos, o terceiro parlamentar mais votado da história da Câmara. Com a aproximação das eleições de 2026, parlamentares federais mineiros que atuam na mesma esfera conservadora já perceberam que uma nova fatia de seu eleitorado pode ser absorvida por Nikolas Ferreira.
Movimentos Estratégicos para 2026
Com um olhar atento para o futuro, alguns deputados começaram a desenvolver bases em novas localidades, visando compensar o que pode ser uma nova fagocitose em seus redutos eleitorais. Por outro lado, membros do PL acreditam que conseguirão manter seus mandatos, mesmo que com uma quantidade menor de votos, permanecendo dependentes do ‘efeito Nikolas’. No pleito de 2022, a votação expressiva de Nikolas ajudou a eleger quase sete deputados para o parlamento. Para 2026, seus aliados preveem que ele poderá atrair até 10 novos representantes, o que o colocaria em uma posição de poder ainda mais proeminente dentro do PL.
Por essa razão, deputados mineiros próximos ao bolsonarismo demonstraram cautela ao não se opor abertamente à ascensão de Nikolas. Primeiramente, a presença deles poderia potencializar a imagem dele como a estrela do evento, ampliando a ‘fagocitose’ em suas bases eleitorais. Em segundo lugar, eles entendem que a ‘Marcha sobre Brasília’ foi organizada para fortalecer o projeto político de Nikolas Ferreira, que mira na liderança da direita na era pós-Jair Bolsonaro.
A ‘Marcha sobre Brasília’ e as Implicações para Bolsonaro
A interpretação da ‘Marcha sobre Brasília’ sugere que Bolsonaro, afastado por tentativas de golpe, é um injustiçado, clamando por liberdade. Entretanto, as negociações que Michelle Bolsonaro tem conduzido com Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes podem culminar em uma transferência do ex-presidente para prisão domiciliar. Michelle expressou preocupação de que a manifestação de Nikolas em Brasília pudesse intensificar a retórica contra o Supremo Tribunal Federal (STF), comprometendo as conversas em andamento. Contudo, Nikolas, ao se posicionar favoravelmente à decisão de Moraes que vetou manifestações nas proximidades do local onde Bolsonaro está preso, soube evitar conflitos com a base bolsonarista, que, ironicamente, chegou a criticar Moraes no dia anterior.
Conflitos Internos na Direita Bolsonarista
O cenário atual da direita bolsonarista é marcado por desavenças internas. A senadora Damares Alves (PL-DF) foi alvo de críticas contundentes de Silas Malafaia e André Valadão, após comentários sobre a CPMI do INSS. Tarcísio de Freitas enfrenta forte oposição de Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, enquanto Michelle se vê em disputa pelo protagonismo na sucessão presidencial.
Nessa atmosfera de confrontos internos, Nikolas Ferreira busca reposicionar sua agenda, planejando sua ascensão como uma liderança dominante no campo conservador. A política, ao invés de uma colaboração mútua, assemelha-se a um banquete onde o crescimento de um organismo implica na redução de outro, conforme a metáfora de Arthur Schopenhauer: “A vontade de viver devora-se a si mesma e constitui, sob diferentes formas, o seu próprio alimento.”
Mudanças na UFMG
A reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sandra Goulart, deixará seu cargo em 16 de março, após a posse de seu sucessor, o vice-reitor Alessandro Fernandes Moreira. A nova vice-reitora será a professora Alamanda Kfoury Pereira. Sandra Goulart encerrará seu segundo mandato à frente da UFMG, que conta com mais de 47 mil alunos e 3.281 servidores docentes. Com a universidade alcançando indicadores de excelência, ela foi convidada a se filiar ao PT, em uma articulação dos deputados Reginaldo Lopes e Cristiano Silveira, com vistas a uma possível candidatura ao governo de Minas.
Governança na Reforma Tributária
Nesta sexta-feira, prefeitos das principais cidades do país escolheram os representantes municipais para o Conselho Superior Provisório do Comitê Gestor do IBS (CG-IBS), marcando o início da participação dos municípios na governança da Reforma Tributária. A votação, que ocorreu de forma virtual, elegeu 39 representantes, refletindo uma articulação política liderada por Eduardo Paes (PSD), prefeito do Rio e presidente da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP).
Homenagem às Vítimas de Brumadinho
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizará uma homenagem neste domingo às vítimas do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, que completa sete anos. Ao meio-dia e 28 minutos, momento exato do deslizamento, haverá o hasteamento das bandeiras no Hall das Bandeiras, seguido de um minuto de silêncio em memória das 272 vidas perdidas. A data de 25 de janeiro, conforme estabelecido pela Lei 23.590 de 2020, foi oficialmente instituída como o dia de luto em honra às vítimas.
