Inauguração do Centro de Referência em Cachaça
O Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG)-Campus Salinas está se preparando para receber um novo Centro de Referência em Pesquisa e Desenvolvimento, focado na análise e certificação da cachaça mineira. Com um investimento de R$ 780 mil, anunciado em fevereiro, o projeto recebe apoio do Governo de Minas Gerais para modernizar o laboratório de análises físico-químicas da instituição.
Os recursos que viabilizarão essa importante iniciativa são oriundos da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Esses investimentos serão destinados à aquisição de equipamentos, insumos, reagentes e bolsas de pesquisa, com o objetivo de fortalecer o respaldo técnico e científico à cadeia produtiva da cachaça artesanal no Norte de Minas.
Minas Gerais: Referência na Produção de Cachaça
Com a criação deste novo centro, o IFNMG-Campus Salinas se integrará à rede de laboratórios certificadores da cachaça em Minas, ao lado de unidades em Lavras e Florestal. Essa articulação reforça a posição de Minas Gerais como um polo nacional em pesquisa e desenvolvimento da bebida. Dados recentes do governo estadual indicam que o estado é responsável por aproximadamente 40% dos estabelecimentos que produzem cachaça de alambique no Brasil.
Impulsionando a Tradição com Inovação
Reconhecida como a capital nacional da cachaça, Salinas se destaca na produção artesanal da bebida, com mais de 13,5 milhões de litros produzidos anualmente. O novo Centro de Referência em Qualidade da Cachaça proporcionará um suporte ainda mais robusto à tradição regional, destacando o papel do IFNMG como um catalisador do desenvolvimento. O professor Felipe Cimino Duarte, que coordena o projeto e a pós-graduação em Produção de Cachaça, considera que a iniciativa é um avanço crucial. “A falta de uma infraestrutura laboratorial acessível e eficiente encarece processos e limita o acesso dos produtores a novas oportunidades de mercado”, explica.
Ele também ressalta que a proposta visa ampliar o acesso dos produtores às análises técnicas exigidas por lei, ajudando a reduzir a informalidade no setor e a melhorar a competitividade. “Vamos realizar análises, certificando que os produtos estejam em conformidade com os padrões do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), além de envolver estudantes em atividades de pesquisa e consultoria junto aos produtores”, completa.
Fortalecimento do Setor Produtivo
O secretário executivo de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Bruno Araújo, reforça a importância da nova rede de laboratórios. “Com o maior número de produtores de cachaça do Brasil e alguns dos melhores pesquisadores, estamos unindo esforços para fortalecer essa cadeia produtiva”, comenta. O subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Lucas Mendes, também elogiou o impacto da iniciativa. “Com três estruturas dedicadas à análise da cachaça, os produtores terão certificação de qualidade e os consumidores, um produto superior”, destaca.
Apoio Direto aos Produtores
Após a instalação do projeto, o laboratório do IFNMG-Campus Salinas possibilitará a realização de análises físico-químicas essenciais para a certificação da cachaça, fundamentais para a comercialização do produto. Entre os parâmetros analisados, estão a concentração de álcool, a presença de ésteres, aldeídos e contaminantes potenciais, como excesso de cobre e carbamato de etila, substância que pode ser cancerígena. Essa estrutura não só garantirá a segurança sanitária e qualidade dos produtos, mas também orientará os produtores sobre as adequações necessárias para cumprir a legislação.
Os bolsistas vinculados ao projeto terão um papel ativo, participando da coleta de amostras, realizando análises laboratoriais e elaborando laudos técnicos sob a supervisão de professores das áreas de química e engenharia de alimentos.
Reduzindo Custos e Melhorando a Qualidade
Atualmente, muitos produtores precisam enviar amostras para laboratórios em outras cidades, o que encarece o processo. Jean Enrique, presidente da Associação de Produtores Artesanais de Cachaça de Salinas (Apacs), ressalta que a chegada do centro certificador representa um grande avanço. “Hoje, as análises vão para Belo Horizonte, Lavras ou Florestal. Com o laboratório em nossa cidade, iremos reduzir custos e permitir que os produtores acompanhem mais de perto as análises e realizem as adequações necessárias”, explica.
Jean também destaca que o custo do envio das amostras pode significar até 30% do valor total da análise, limitando a frequência com que os produtores realizam esses procedimentos. Com a nova estrutura, além de baixar custos, haverá um aprimoramento na qualidade dos produtos. “Isso nos permitirá fazer mais análises e garantir que nossos produtos atendam às normas”, completa.
A Apacs conta com 27 produtores associados, responsáveis por mais de 50 marcas e cerca de 100 rótulos de cachaça, vindos de municípios como Fruta de Leite, Novorizonte, Rubelita, Taiobeiras e Santa Cruz de Salinas. A produção da região é marcada por pequenos produtores que combinam tradição e conhecimento transmitido entre gerações.
Formação e Inovação no IFNMG
O novo laboratório também oferecerá oportunidades ampliadas de formação acadêmica no IFNMG-Campus Salinas, permitindo que estudantes de diferentes níveis se envolvam em projetos de pesquisa e extensão voltados para a qualidade da cachaça e o desenvolvimento da agroindústria artesanal. Para o professor Felipe Duarte, esse projeto vai além da compra de equipamentos, representando um investimento em território, conhecimento e valorização da cachaça como patrimônio cultural e vetor de desenvolvimento regional.
