Vacinação e Casos de Chikungunya em MG
Minas Gerais enfrenta um aumento alarmante nos casos de chikungunya, com 5.082 registros prováveis entre janeiro e 24 de março, o que representa uma média de 61 casos diários, ou aproximadamente dois por hora. Deste total, 2.950 foram confirmados, e o estado contabiliza uma morte pela doença, com outra sob investigação. Em resposta a essa situação crítica, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) lançou, na quarta-feira (25/3), uma campanha de vacinação em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O subsecretário de Vigilância em Saúde, Eduardo Campos Prosdocimi, anunciou o envio de 32 mil doses para o município. “A vacinação inicia imediatamente em todas as unidades de saúde e também através de ações fora das unidades, utilizando vacimóveis. A população-alvo abrange adultos entre 18 e 59 anos, com a aplicação sendo feita em dose única”, detalhou.
Ele ainda expressou a expectativa de atingir ao menos 50% do público-alvo. “Buscamos alcançar pelo menos metade desta população para avaliar os resultados práticos da vacinação na região”, acrescentou. Desenvolvida pelo Instituto Butantan em colaboração com o laboratório Valneva, a vacina de chikungunya é vista como um avanço significativo na luta contra a doença. “Essa é a melhor estratégia para prevenir e evitar que situações como essa se tornem emergências de saúde pública recorrentes”, destacou.
Casos Concentrados e Estratégias de Combate
Prosdocimi também comentou sobre a atual distribuição dos casos no estado, que estão concentrados principalmente no Triângulo Mineiro, em cidades como Araguari, Ituiutaba e Uberlândia. “Os números atuais são inferiores aos do ano passado. Isso não é apenas uma questão de subnotificação, mas reflete uma redução real, fruto de investimentos, capacitação e mobilização nas comunidades”, afirmou.
Entre as estratégias adotadas, ele mencionou o uso de drones e a promoção de dias D, alcançando mais de 90% dos municípios mineiros. “Estamos realizando uma verdadeira mobilização contra o Aedes aegypti”, disse.
Apesar do avanço da vacinação, o subsecretário enfatizou a importância das medidas preventivas dentro dos lares. “Cerca de 80% dos focos do mosquito estão nas residências. Apenas dez minutos por semana são suficientes para eliminar água parada e evitar o aumento da população de mosquitos”, alertou.
Detalhes da Vacinação da Chikungunya
A vacina contra a chikungunya é aplicada em dose única e estimula o sistema imunológico a gerar resposta ao vírus, sem provocar a doença. Estudos com cerca de 4 mil voluntários indicam que aproximadamente 99% desenvolveram anticorpos neutralizantes.
Entretanto, existem restrições. Não devem receber o imunizante mulheres grávidas ou lactantes, pessoas com imunossupressores, aquelas com duas ou mais comorbidades, doenças crônicas descompensadas ou com histórico de reações alérgicas aos componentes da vacina. Além disso, a aplicação deve ser postergada em casos de febre ou infecção recente por chikungunya nos últimos 30 dias e não é recomendada a administração simultânea com outras vacinas.
A estratégia de vacinação, que começou em fevereiro em Congonhas e Sabará, agora se expande para Santa Luzia, onde se buscará avaliar a eficácia do imunizante em condições reais, com foco na redução de casos graves e mortes. Para isso, foram designadas 19.200 doses para Sabará, 9.600 para Congonhas e 32 mil para Santa Luzia, com seleção dos municípios baseada em critérios técnicos, epidemiológicos e de capacidade de vigilância. Sete Lagoas, embora tenha sido incluída, adiou o início da vacinação, aguardando um novo período a ser definido com o Ministério da Saúde.
Outras Arboviroses e Investimentos em Saúde
Além da chikungunya, Minas Gerais também enfrenta outros desafios com arboviroses. Desde janeiro, foram registrados 32.507 casos prováveis de dengue, com 10.254 confirmações e sete mortes, além de 13 casos em investigação. Em relação à zika, contabilizam-se 26 casos prováveis e três confirmações, sem nenhuma morte até agora.
O Governo de Minas reafirma seu compromisso com investimentos permanentes no combate a arboviroses. Anualmente, cerca de R$ 210 milhões são direcionados para fortalecer ações de prevenção, vigilância e assistência. Em 2025, aplicaram-se R$ 23,6 milhões em medidas emergenciais e repassaram R$ 35,1 milhões para consórcios intermunicipais.
Recentemente, foram antecipados R$ 47,3 milhões para aumentar as equipes, ampliar a oferta de exames e intensificar o uso de tecnologias, como drones e ovitrampas, armadilhas para monitorar a população do mosquito Aedes aegypti. No início de março, foi realizada a soltura de mosquitos com Wolbachia em Brumadinho, estratégia que, segundo o governo, é eficaz para reduzir a transmissão de dengue, chikungunya e zika.
