Operação Casa de Farinha: Uma Ação Contra a Sonegação e a Saúde Pública
Na manhã de quarta-feira, 25 de março, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Minas Gerais, conhecido como Cira-MG, desencadeou a Operação Casa de Farinha. A iniciativa tem como foco desarticular um elaborado esquema de fraudes fiscais que envolve empresas dedicadas à produção de encapsulados e marketing digital. A ação objetiva combater não apenas a sonegação de impostos, mas também crimes sérios contra a saúde pública e o consumidor.
As investigações abordam diversos delitos, incluindo associação criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Um dos pontos críticos é a fabricação e comercialização de substâncias que não possuem o devido registro e que desrespeitam interdições impostas pelos órgãos de vigilância sanitária. As autoridades cumpriram durante a operação dois mandados de prisão, além de 17 mandados de busca e apreensão em cidades do Sul de Minas, Centro-Oeste mineiro e Goiás, atingindo tanto a sede de empresas envolvidas quanto as residências de empresários.
Durante as buscas, foram confiscados celulares, eletrônicos, documentos e outros materiais relevantes para a investigação. Além disso, o Cira-MG obteve autorização para a indisponibilidade de bens móveis e imóveis dos envolvidos, resultando no bloqueio de mais de R$ 1,3 bilhão, um passo significativo na luta contra a corrupção.
Esquema de Sonegação e suas Consequências
As investigações revelaram uma estratégia complexa que manipulava o fato gerador para sonegar ICMS, utilizando indevidamente a imunidade tributária que é concedida a e-books. Os dados também indicam que os suplementos eram produzidos sem os princípios ativos que constavam nos rótulos e em desacordo com as normas sanitárias vigentes. Essa prática não apenas prejudicou a saúde dos consumidores, mas também trouxe um grande prejuízo ao Estado de Minas Gerais, com perdas estimadas em mais de R$ 100 milhões.
Carlos Renato Confar, superintendente de Fiscalização da Secretaria de Estado da Fazenda, destacou que esse esquema envolvia uma vasta rede de empresas. Ele explica: “Após a produção dos ‘suplementos’, eles eram enviados para uma filial da fábrica, a partir da qual eram distribuídos para mais de 300 empresas identificadas pelo Fisco. Essa rede realizava vendas diretas aos consumidores, utilizando livros digitais de forma fraudulenta nas notas fiscais”. Os dados das investigações revelam que mais de um milhão de CPFs estiveram envolvidos na compra desses produtos.
Prisão dos Suspeitos e Ação Conjunta das Autoridades
A Operação Casa de Farinha contou com a colaboração de uma força-tarefa robusta, composta por sete promotores de Justiça, cinco delegados da Polícia Civil, 68 auditores da Receita Estadual, 73 policiais civis, 26 policiais militares, além de agentes de órgãos como o Ministério Público e a Anvisa. Foram presos dois homens, de 29 e 35 anos, em Arcos, onde localizava-se a indústria de encapsulados, e em Lagoa da Prata, onde funcionava uma filial. Durante as investigações, ainda foi identificado um núcleo contábil e jurídico em Campo Belo, no Sul do Estado, que dava suporte às operações fraudulentas.
A coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (CAOET), Janaina de Andrade Dauro, mencionou que os dois indivíduos presos podem ser os principais responsáveis pelo esquema. “Estes homens até ensinavam pela internet como executar os crimes tributários”, revelou.
O Cira-MG e seu Papel na Recuperação de Ativos
Com a Operação Casa de Farinha, o Cira-MG reafirma seu compromisso em combater a sonegação fiscal e proteger a saúde pública. Essa operação, que celebra 18 anos de atuação, representa um marco na luta contra a corrupção e a criminalidade que afetam a sociedade. As ações contínuas do comitê buscam não apenas recuperar ativos, mas também garantir um ambiente mais seguro e justo para todos os cidadãos.
