Iniciativa que Transforma Vidas no Semiárido
No Brasil, a luta por acesso à água em regiões afetadas pela emergência climática é constante. Este ano, a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) se destacou, entregando mais de 30 mil tecnologias sociais para captação e armazenamento de água, incluindo 3.923 cisternas em Pernambuco. Essa ação é crucial para garantir segurança hídrica a aproximadamente 150 mil pessoas que residem no interior do Nordeste e em Minas Gerais.
Com uma capacidade de armazenamento total que ultrapassa 580 mil litros cúbicos, as cisternas construídas são comparáveis a uma barragem de pequeno a médio porte. Para se ter uma ideia da magnitude desse aporte, esse volume é equivalente a mais de 300 mil piscinas olímpicas.
No estado de Pernambuco, as cisternas entregues possuem capacidade para 16 mil litros de água cada. Um exemplo é a cisterna da moradora Maria Adriana Ribeiro Silva, de 32 anos. Residente da comunidade de Serra do Simões, em Araripina, Maria agora tem acesso a água potável. “Estou muito feliz que até me faltam palavras para explicar o quanto é bom ter essa cisterna, uma coisa que eu não tinha condições [financeiras] de fazer e graças a Deus hoje nós temos”, compartilhou emocionada.
Política Pública de Água no Semiárido
As cisternas entregues a Maria e a tantos outros beneficiários são parte do Programa Cisternas, uma iniciativa do Governo Federal. Essa ação se insere dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e é coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Fundação Banco do Brasil.
Desde sua criação em 2003, essa política pública visa democratizar o acesso à água no Semiárido, dividindo suas ações em dois programas principais: o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e o Programa Uma Terra Duas Águas (P1+2). O P1MC se concentra na construção de reservatórios de 16 mil litros para consumo humano e de 52 mil litros para abastecer escolas, beneficiando 14 instituições educacionais em Pernambuco.
Já o P1+2 foca na criação de cisternas de 52 mil litros, destinadas à irrigação agrícola e à criação de animais, com 305 locais contemplados no estado. Desde a retomada do Programa Cisternas em 2023, as famílias também recebem suporte financeiro de R$ 4,6 mil pelo Programa Fomento Rural, destinado a impulsionar projetos de agricultura familiar, como a instalação de apiários e hortas, promovendo emprego e renda no campo.
Impacto Social e Econômico
A coordenadora executiva da ASA, Jardenes Matos, ressaltou a importância dessas tecnologias. “Essas iniciativas fortalecem a autonomia das famílias, permitindo que convivam com o Semiárido de forma digna e segura. Cada tecnologia representa um passo em direção à justiça social”, afirmou.
Segundo Jardenes, a ASA vê a tecnologia não apenas como uma solução técnica, mas como parte de um processo de mobilização e transformação social. “Um governo que prioriza a convivência com o Semiárido possibilita que ações como o Programa Cisternas possam atender às demandas de famílias rurais, historicamente excluídas de políticas públicas”, completou.
Nos últimos dois anos, a Rede ASA implementou 77.757 tecnologias sociais de segurança hídrica, beneficiando quase 390 mil pessoas com acesso à água potável para beber, cozinhar e produzir alimentos. Para 2026, estão previstas a construção de mais 50 mil cisternas de primeira e segunda água, além da restauração de 2,5 mil reservatórios antigos. O investimento total, conforme contrato firmado entre a Associação Programa Um Milhão de Cisternas (AP1MC) e o MDS, está estimado em R$ 500 milhões.
