As Perspectivas Políticas de Cleitinho Azevedo
O senador Cleitinho Azevedo, representante do Republicanos em Minas Gerais, anunciou sua intenção de concorrer ao governo do estado nas próximas eleições. A confirmação veio através de Marcos Pereira, presidente do partido, durante uma entrevista à Folha de S.Paulo. Apesar de já ter manifestado apoio ao deputado Flávio Bolsonaro (PL), a reciprocidade desse apoio está condicionada aos desdobramentos da figura de Nikolas Ferreira (PL-MG), segundo Pereira.
“A situação no PL está em uma fase de divisão. A decisão ainda não foi tomada. Há quem acredite que Nikolas Ferreira terá um papel decisivo, e ele parece estar mais alinhado com Matheus Simões, o atual vice-governador”, afirmou Pereira.
Matheus Simões, que é filiado ao PSD, deve assumir a governança em março, após a saída do atual governador, Romeu Zema (Novo), que almeja uma candidatura à presidência da República. Para Pereira, a estratégia do deputado federal envolve planejamento político que abrange suas ambições para 2030. Assim que Simões assumir o governo em abril, ele buscará reeleição em outubro, o que o impede de concorrer novamente em quatro anos, abrindo possibilidades para novas candidaturas.
Em contraste, Cleitinho, caso seja eleito, poderá governar por até oito anos, fazendo com que sua candidatura se torne uma ameaça às aspirações de Nikolas Ferreira. Pereira apontou: “Se Simões se eleger governador, ele não terá a opção de se candidatar de novo, o que deixaria espaço para Nikolas, que também deseja a posição de governador. Por outro lado, se Cleitinho for o escolhido, ele poderá buscar a reeleição, o que se apresenta como um fator a se considerar para Nikolas”.
Desafios e Alianças nas Eleições de 2024
A possível candidatura de Matheus Simões, que irá apoiar Zema na corrida presidencial, pode influenciar diretamente a votação de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais. É um cenário que levanta preocupações, pois o candidato que controla a máquina estadual estará promovendo a campanha de um opositor.
Notas que chegaram até Flávio Bolsonaro indicam que há um descontentamento dentro do PL em relação à candidatura de Simões. Um dos registros traz a observação “me puxa para baixo” ao lado do nome do vice-governador.
Cleitinho havia suspendido suas negociações em fevereiro, após seu irmão ser diagnosticado com leucemia, mas já comunica a aliados que avança com sua candidatura. Conversas entre Flávio e Cleitinho ocorreram antes do Carnaval, mas não resultaram em um apoio definido. Novas reuniões estão previstas nas próximas semanas para discutir os rumos da disputa.
Nikolas Ferreira, por sua vez, foi sondado por Flávio Bolsonaro no início do mês, mas decidiu não se colocar como candidato ao governo neste ciclo, optando pela reeleição na Câmara dos Deputados. Ele se destacou como o candidato mais votado do Brasil nas eleições de 2022.
Em uma reunião recente com membros do PL, Nikolas enfatizou a importância da união e do trabalho conjunto para assegurar a eleição de Flávio.
O Palanque de Lula e as Perspectivas para Minas Gerais
Enquanto isso, o ex-presidente Lula (PT) está em busca de apoio em Minas Gerais, tentando garantir o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), como seu representante no estado. Lula se reuniu com Pacheco há duas semanas e reiterou que ele é a única opção viável, embora Pacheco não tenha feito comentários sobre a possibilidade.
Minas Gerais desponta como um estado crucial nas eleições. Desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos também conquistaram as urnas mineiras, de Fernando Collor em 1989 a Jair Bolsonaro em 2018, passando por Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff.
Na mais recente eleição, em 2022, Lula venceu em Minas por uma margem estreita de apenas 0,4 pontos percentuais em relação a Jair Bolsonaro, conquistando 50,2% dos votos, enquanto o ex-presidente obteve 49,8%.
