Uma Nova Série Brasileira Explora Desafios Emocionais e Sociais
Na trama de ‘Colapso’, o personagem Sérgio, interpretado por Daniel Infantini, é um porteiro que trabalha em um tradicional conjunto habitacional, o IAPI, na região da Lagoinha, em Belo Horizonte. Ele é um homem metódico, gentil e educado, mas atualmente enfrenta um grave desafio: um diagnóstico de catatonia. Essa situação começou a afetá-lo após a chegada de um novo síndico que implementou regras rigorosas para o trabalho noturno, incluindo a instalação de um relógio digital barulhento que toca incessantemente durante a noite.
O drama de Sérgio é apenas o ponto de partida para Elis, uma psicóloga interpretada por Sara Antunes, que é a protagonista da série. Recém-graduada em São Paulo, Elis está em Belo Horizonte para realizar um mestrado em perícia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A série, que contará com 10 episódios de meia hora, estreia nesta sexta-feira, 26 de dezembro, às 23h, na TV Brasil.
Desenvolvida por Gabriel Müller Leal e dirigida por Hermano Taranto, ‘Colapso’ traz uma narrativa que explora a saúde mental de um grupo de trabalhadores que se torna paciente de Elis. Segundo Mário Felipe, da produtora Quarteto Filmes, todos os casos apresentados na série são inspirados em situações reais. “Retratamos pessoas com baixo poder aquisitivo que enfrentam dificuldades para acessar o sistema de saúde”, explica Mário.
Personagens em Conflito e Pressão Acadêmica
A narrativa não se limita a apenas Sérgio. Outros personagens, como uma atendente de telemarketing, uma empregada doméstica e um prestador de serviços, também têm suas histórias entrelaçadas. A psicóloga Elis se envolve intensamente com os casos que acompanha, além de lidar com a pressão para terminar sua dissertação dentro de um prazo de seis meses.
A orientadora de Elis, Cíntia, vivida por Rejane Faria, não demonstra satisfação com o progresso da pesquisa e pouco se importa com as dificuldades que suas alunas enfrentam ao tentar ajudar os trabalhadores a recuperar não apenas a saúde, mas também a dignidade.
“Colapso” apresenta uma profunda análise sobre a saúde mental em contextos de vulnerabilidade social, mostrando como a pressão psicossocial pode afetar não apenas a vida profissional, mas também as relações pessoais de seus personagens. Os conflitos emocionais de Elis são acentuados por traumas de um passado marcado pela pobreza e violência, o que a leva a reavaliar suas próprias vivências ao se encontrar com seus pais, interpretados por Fernanda Viana e Rodolfo Vaz. O elenco também conta com outros talentos do teatro mineiro, como Rogério Falabella, Andreia Garavello e Luiz Arthur.
Um Projeto Adiado, Mas Repleto de Expectativas
A concepção de “Colapso” remonta a 2018, quando o projeto foi inicialmente apresentado à produtora Quarteto. As filmagens estavam programadas para 2020, mas devido à pandemia, elas foram adiadas e só puderam ser realizadas em 2022, em um período de seis semanas em Belo Horizonte. O que é interessante notar é que tanto a equipe técnica quanto grande parte do elenco foram formados por profissionais locais, trazendo um caráter autêntico à narrativa.
Os cenários da série são facilmente reconhecíveis pelos belo-horizontinos, incluindo locais como a Praça da Liberdade, a Praça da Estação e o Viaduto Santa Tereza. A trama começa com uma cena impactante, onde uma sequência de atropelamento na Avenida dos Andradas acompanha a protagonista em sua busca por Rita, interpretada por Sara Barbosa.
