Inovações no Combate à Dengue no Brasil
Com a chegada do verão, que traz calor e chuvas intensas, o Brasil se prepara para enfrentar mais uma crítica temporada de dengue. As previsões são alarmantes: de acordo com o InfoDengue e o Mosqlimate Dengue Challenge, em parceria com a Fiocruz e a FGV, o País pode registrar até 1,8 milhão de casos prováveis da doença em 2026, o que representaria o segundo maior número desde 2010. Nesse cenário preocupante, a implementação de vacinas, diagnósticos rápidos e tecnologias inovadoras se tornam primordiais na luta contra o mosquito Aedes aegypti.
Para se antecipar ao aumento da demanda, a Drogaria Araujo, localizada em Minas Gerais, aumentou seu estoque da vacina Qdenga, fabricada pela Takeda. Essa vacina é indicada para pessoas entre 4 e 60 anos e é administrada em duas doses, com um intervalo mínimo de três meses entre elas, visando garantir uma proteção eficaz contra a dengue.
Conforme destaca Isabel Dias, gerente técnica da rede, a vacinação é uma das principais frentes de prevenção contra a doença. “É fundamental que a população se antecipe, especialmente crianças e adolescentes, antes do pico sazonal da dengue. O uso contínuo de repelentes também é indispensável para reforçar a proteção diária”, ressalta.
Exames Rápidos e Repelentes Acessíveis
Além da vacinação, a Drogaria Araujo oferece uma grande variedade de repelentes em diferentes formatos, adequados para toda a família. A rede também disponibiliza testes rápidos para diagnóstico de dengue, com resultados em até 20 minutos, sem exigência de jejum ou agendamento. Esse tipo de teste é vital, pois permite identificar tanto infecções ativas quanto contatos anteriores com o vírus da dengue — uma informação crucial, visto que a dengue possui quatro sorotipos diferentes e uma infecção não confere imunidade contra os outros sorotipos.
Expectativa pela Vacina Nacional
No setor público, a expectativa pela vacina 100% nacional contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan, é alta. O Ministério da Saúde firmou um contrato para a aquisição inicial de 3,9 milhões de doses, com um investimento total de R$ 368 milhões. Esta vacina, que será oferecida exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é de dose única e começará a ser disponibilizada em 2026.
As primeiras 300 mil doses serão embaladas ainda nos primeiros meses do ano e fazem parte de um lote de 1,3 milhão de doses já produzidas, voltadas prioritariamente para os profissionais da Atenção Primária à Saúde. A vacinação deve ter início no final de janeiro de 2026, com ações-piloto em Botucatu (SP) e Maranguape (CE), incluindo também Nova Lima, na Grande BH. O público-alvo inicial abrange pessoas entre 15 e 59 anos.
Essa nova vacina protege contra os quatro sorotipos da dengue, apresentando 74,7% de eficácia em casos sintomáticos e 89% de proteção contra formas graves da doença, além de facilitar a adesão por exigir apenas uma dose.
Parcerias e Aumento da Capacidade Produtiva
Uma parceria internacional entre Brasil e China poderá ampliar a produção da vacina nacional em até 30 vezes, por meio da transferência de tecnologia para a empresa WuXi Vaccines. O desenvolvimento deste imunizante recebeu R$ 130 milhões do BNDES e investimentos constantes do Ministério da Saúde, totalizando mais de R$ 10 bilhões anuais para fortalecer a produção nacional de vacinas. No âmbito do Novo PAC Saúde, está previsto um aporte de R$ 1,2 bilhão para ampliar a capacidade produtiva do Instituto Butantan.
Atualmente, o SUS também disponibiliza a vacina japonesa contra a dengue, que deve ser administrada em duas doses e é indicada para adolescentes de 10 a 14 anos. Desde 2024, já foram distribuídas 11,1 milhões de doses, com 7,8 milhões já aplicadas.
A Tecnologia como Aliada no Controle das Arboviroses
Além das vacinas, a tecnologia desempenha um papel fundamental no combate às arboviroses. O programa Techdengue utiliza inteligência artificial para monitorar áreas de risco, atuando em mais de 630 municípios e beneficiando cerca de 13 milhões de pessoas. Em 2025, a tecnologia mapeou 300 mil hectares e identificou mais de 260 mil locais com potencial de proliferação do mosquito, permitindo intervenções de saúde mais eficazes.
Cláudio Ribeiro, idealizador do programa, explica: “Nos períodos de maior chuva, agir antes do pico de transmissão faz toda a diferença. A tecnologia reduz desperdícios e amplia a proteção das áreas mais vulneráveis.” O Techdengue também oferece capacitação técnica às equipes municipais, proporcionando cursos e treinamentos à distância. Em 2025, foram mais de 45 horas de formação, fortalecendo a autonomia dos profissionais no uso das ferramentas digitais de combate ao Aedes aegypti.
