Revitalização do Corredor Minas-Rio
BRASÍLIA, DF – A concessão de trechos ferroviários à iniciativa privada terá seu início programado para 2026, com a oferta do “corredor Minas-Rio”. Essa malha ferroviária, que se estende por 740 quilômetros, conecta as cidades de Arcos, Lavras e Varginha, em Minas Gerais, até Barra Mansa e Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro. Apesar de já existir, esta rota permanece subutilizada e demanda investimentos significativos para sua ampliação e revitalização.
Atualmente, essa malha faz parte da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e, devido à sua quase inoperância, o governo federal, liderado pelo presidente Lula (PT), está adotando um modelo inédito de “chamamento público”. Com isso, a administração pública poderá oferecer a malha ferroviária ao mercado, condicionando a operação a novos investimentos. Um diferencial é que não será exigido pagamento à União (outorga), o que visa facilitar a atração de capital privado para a recuperação de ferrovias que estão em estado de abandono.
Modelo de Autorizações e Contratos
O plano do governo federal inclui um contrato de exploração ferroviária que poderá durar até 99 anos. Caso o chamamento público atraia mais de um interessado, a proposta mais vantajosa para o interesse público será escolhida. Vale lembrar que a concessão total da FCA, realizada há 30 anos, será encerrada em setembro de 2026, o que aumenta a urgência em definir o futuro desses trechos, além de garantir a prorrogação do contrato com a VLI, que atualmente administra parte da ferrovia.
Potencial do Corredor Minas-Rio
O corredor Minas-Rio foi selecionado por apresentar uma combinação de fatores que, segundo o Ministério dos Transportes, podem atrair uma variedade de operadores ferroviários. O trecho já possui demanda real de carga, estudos técnicos prontos, inspeções feitas e uma decisão política clara em priorizar o projeto. Inclusive, foi incluído no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), o que sinaliza sua importância e prioridade dentro da gestão pública.
Novas Oportunidades Para o Café
Uma das grandes apostas é a diversificação das cargas, incluindo um possível desenvolvimento turístico para o transporte de passageiros. Estudos indicam que esse trecho pode se transformar em uma nova rota de exportação para o café brasileiro. O Sul de Minas é a maior região produtora do país, sendo responsável por mais de um terço da produção nacional. A ferrovia poderia conectar essa produção diretamente ao litoral fluminense, especialmente ao porto de Angra dos Reis, oferecendo uma alternativa logística em relação a rotas mais congestionadas, como as que levam ao porto de Santos.
Além do café, a malha ferroviária também poderá facilitar a importação de fertilizantes e o transporte de cargas gerais. Atualmente, a FCA movimenta anualmente cerca de 32 milhões de toneladas, majoritariamente constituídas por minério de ferro e insumos da siderurgia. Por sua vez, o corredor Minas-Rio, em sua estrutura atual, já transporta calcário, clínquer, dolomita e insumos industriais, com uma movimentação projetada de 1,7 milhão de toneladas para 2025. Estimativas do governo indicam que esse volume pode ultrapassar 2,5 milhões de toneladas anuais nas próximas décadas.
Teste para o Futuro das Ferrovias
O governo acredita que a concessão do corredor Minas-Rio poderá estabelecer um marco significativo para o setor ferroviário, funcionando como um teste para outras ferrovias que enfrentam problemas de subutilização ou estão próximas do fim de contrato. No total, a carteira do setor ferroviário prevê movimentar investimentos superiores a R$ 139,7 bilhões em obras, além de R$ 516,5 bilhões em operações nos trechos.
Além do chamamento público para este trecho, a estratégia do governo federal abrange mais oito traçados entre 2026 e 2027. A publicação de editais e a definição das datas dos leilões já estão programadas para os próximos dois anos, englobando tanto novas obras quanto a revitalização de trechos degradados, além da integração de corredores ferroviários com os portos.
