Indicadores de Confiança Crescem em Fevereiro
A confiança das famílias em Belo Horizonte registrou um avanço em fevereiro, impulsionada pela melhoria nas percepções sobre renda e emprego. Segundo análise do núcleo de Pesquisa & Inteligência da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG), o índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) alcançou 88,6 pontos, uma elevação de 2,2 pontos em relação a janeiro. Este aumento é um sinal positivo, mas ainda deixa os indicadores aquém da linha de satisfação, que é marcada em 100 pontos.
Os dados mostram que a segurança em relação ao emprego atual subiu um ponto, atingindo 99,7 pontos. Embora este número esteja próximo da linha de satisfação, ainda é inferior aos 119,4 pontos verificados em fevereiro de 2025. Na análise profissional, o índice também apresentou um leve acréscimo, alcançando 91,7 pontos, 0,2 ponto acima do mês anterior. Curiosamente, 43,1% dos entrevistados acreditam que a situação profissional do chefe da família vai melhorar nos próximos seis meses, uma leve alta em comparação aos 42,7% que tinham essa expectativa em janeiro.
Avaliação da Renda e Expectativas de Consumo
Entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, a confiança é ainda maior, com 53,7% apostando no avanço profissional, em comparação aos 41,4% nas famílias de menor renda. Essa disparidade sublinha a importância do contexto econômico na percepção de futuro dos cidadãos.
A avaliação da renda atual teve uma alta de 2,3 pontos, totalizando 97,4 pontos, mas ainda está abaixo dos 99,7 pontos registrados em fevereiro do ano passado. Para 23,2% dos entrevistados, a renda familiar melhorou em relação ao ano anterior, o que indica um certo otimismo, mesmo que moderado.
Dificuldades no Acesso ao Crédito
Com relação ao acesso ao crédito, houve um pequeno crescimento de 0,6 ponto em comparação a janeiro, acumulando uma alta de 4 pontos em relação a fevereiro de 2025. Contudo, 38,7% dos entrevistados consideram que está mais difícil obter empréstimos ou financiar compras a prazo do que no ano anterior.
A economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, destaca que a renda e o mercado de trabalho têm sido fundamentais para sustentar o consumo, apesar do endividamento das famílias e das taxas de juros elevadas. “A renda tem se mostrado um dos principais fatores que ajudam a manter o consumo. O aumento real do salário mínimo, somado à isenção do imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil, amplia a capacidade de gastos das famílias. Além disso, o mercado de trabalho está aquecido, com uma das menores taxas de desemprego da história de Minas Gerais, alcançando 3,8%. Isso garante maior segurança profissional e possibilita o aumento do consumo”, afirma.
Consumo Abaixo do Esperado
No entanto, o nível de consumo atual ainda está abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. Aproximadamente 49,8% dos entrevistados relatam que estão comprando menos do que em 2025, enquanto 26,8% afirmam que suas compras aumentaram. O índice de consumo atual ficou em 77,0 pontos, 3,8 pontos acima de janeiro, mas 10,7 pontos inferior ao de fevereiro do ano passado.
A perspectiva de consumo, por outro lado, mostrou um avanço e permanece acima da linha de satisfação. O índice alcançou 107,4 pontos, com uma alta de 1,5 ponto em relação ao mês anterior e 2,7 pontos em comparação ao ano passado. Curiosamente, 34,7% dos entrevistados planejam aumentar seu consumo nos próximos meses em relação ao segundo semestre do ano passado.
Quanto à compra de bens duráveis, a percepção é de que o momento não é favorável, com 70% dos entrevistados compartilhando esse sentimento. Apesar disso, o indicador específico subiu 4,7 pontos na comparação mensal, embora ainda esteja 8,8 pontos abaixo do nível visto em fevereiro de 2025.
