Expectativas para 2026: Uma Luz no Fim do Túnel
A confiança do empresariado, que apresentou baixa em 2025, começa a dar sinais de recuperação para 2026, conforme indicam dados do Instituto Brasileiro de Economia (FGV/Ibre). Após um período de estagnação, onde o índice de confiança caiu para 90 pontos — um nível mantido desde setembro do ano passado —, há uma expectativa crescente de melhora. Embora o Índice de Situação Atual (ISA) continue a mostrar uma percepção negativa, o Índice de Expectativas (IE) está em ascensão, sugerindo que os empresários já veem um horizonte mais promissor.
A pesquisa Firmus, realizada pelo Banco Central, reforça essa tendência, com um aumento no número de empresas que consideram a situação econômica atual como “neutra”. Em comparação ao terceiro trimestre, onde apenas 21,4% das empresas tinham essa percepção, o quarto trimestre registrou 27,9%, apontando uma leve recuperação.
Alívio nos Juros e sua Influência no Mercado
Rodolpho Tobler, coordenador das Sondagens Empresariais do FGV/Ibre, acredita que estamos diante de um “ponto de virada” na confiança dos empresários. Para ele, o aumento da taxa Selic — que chegou a 15% ao ano de setembro de 2024 a junho de 2025 — teve um grande impacto negativo, principalmente na indústria, que é altamente dependente de crédito. O economista ressalta: “A perda de fôlego da confiança tem muito a ver com os juros. A indústria é muito sensível a crédito e juros.”
A expectativa de que a inflação se mantenha sob controle e que os juros comecem a cair em 2026 pode revitalizar a economia. Tobler destaca que, se o ciclo de redução de juros iniciar rapidamente, a economia não esfriará tanto, permitindo que o motor do consumo continue funcionando. “O juro está muito alto, mas a demanda ainda está aquecida, com emprego e renda fortes”, afirma.
Consumo e Demanda em Alta: O Que Esperar?
Empresas de setores que atendem diretamente ao consumidor final, como a rede de depilação Espaçolaser e a gigante do comércio eletrônico Amazon, relatam um ambiente animador. Magali Leite, CEO da Espaçolaser, observa que, mesmo com o cenário de juros elevados, a demanda por seus serviços cresceu 11% em 2025. A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda promete injetar mais recursos na economia, contribuindo para um consumo mais robusto em 2026.
A Whirlpool, fabricante das marcas Brastemp e Consul, também vê oportunidades no mercado. Gustavo Ambar, diretor-geral da empresa, menciona que uma parte significativa das geladeiras brasileiras está se aproximando do fim de sua vida útil, o que impulsionará as trocas. Além disso, novas categorias de eletrodomésticos apresentam potencial de expansão, apesar dos juros altos.
Setores Otimistas Apesar dos Desafios
As expectativas não são todas otimistas, no entanto. A Shell, por exemplo, enfrentará um cenário desafiador com os preços do petróleo em baixa. Cristiano Pinto da Costa, CEO da subsidiária brasileira, destaca a importância de manter a eficiência operacional e de custos, em meio a um ambiente de preços “desafiadores”.
As eleições gerais de 2026 e o tarifaço dos Estados Unidos também estão no radar dos executivos. No entanto, a maioria deles parece otimista, minimizando a relevância das mudanças políticas e focando em estratégias de longo prazo. A Anglo American, que está investindo na construção de uma usina de filtragem de rejeitos, também expressou preocupações em relação à nova Reforma Tributária que pode afetar a competitividade das operações no Brasil.
O Papel das Eleições e da Reforma Tributária
A Reforma Tributária que começará a ser implementada em 2026 é vista como uma oportunidade de simplificação do ambiente de negócios. Embora a transição leve tempo, muitos executivos acreditam que ela poderá facilitar o empreender no Brasil, resultando em um aumento na abertura de novas franquias.
A Taco Bell, por sua vez, está focando na expansão de suas operações no Brasil e vislumbra a Copa do Mundo de 2026 como um evento que pode impulsionar o consumo, trazendo mais clientes aos restaurantes. Tito Barroso, CEO da marca, compartilha que a expectativa é aumentar o número de lojas para 200 até 2030, aproveitando o crescimento contínuo da indústria de fast food no país.
Com uma recuperação gradual da confiança do empresariado, o cenário econômico para 2026 parece promissor, embora desafios persistam. A combinação de queda nos juros, demanda aquecida e uma economia mais saudável pode indicar um ano de retorno ao crescimento, desde que as empresas continuem a se adaptar a um ambiente em constante mudança.
