A Celebração da Cultura Afro-Brasileira
O Congado, manifestação cultural rica em simbolismos, é uma expressão viva da fé, identidade e ancestralidade da comunidade de Miguel Burnier, Minas Gerais. Com quase oito décadas de história, a Banda de Congado de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia, fundada em 1947, se destaca por seu compromisso em preservar e promover a cultura afro-brasileira. Desde 2019, a Festa do Reinado “A Fé Que Canta e Dança” foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial de Ouro Preto, um selo que reafirma a importância desta tradição.
A banda se caracteriza por suas roupas vibrantes, cantos festivos, rituais, danças simbólicas e o toque de instrumentos tradicionais. Participando de celebrações religiosas locais e festivais regionais, o grupo mantém viva a memória dos reinados negros de Rosário e Santa Efigênia, sempre com a ajuda de projetos viabilizados pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais. O apoio vem de grandes parceiros, como a Gerdau, maior produtora de aço do Brasil, além da gestão da Agência de Desenvolvimento Econômico e Social de Ouro Preto (Adop) e a colaboração da Prefeitura de Ouro Preto.
Capitão Antônio Xisto: Um Líder Cultural
À frente da Banda de Congado, o Capitão Antônio Xisto é uma figura emblemática na comunidade. Ele começou sua trajetória como dançante na década de 1950 e, gradualmente, assumiu a liderança da guarda. Em 2008, seu talento e dedicação foram reconhecidos quando foi nomeado Mestre da Cultura Popular pelo Ministério da Cultura. A inauguração da Praça dos Congadeiros Capitão Xisto, em 2025, trouxe ainda mais visibilidade à sua contribuição para a cultura local.
Para o Capitão Xisto, o Congado vai além de uma simples tradição; é uma verdadeira missão de vida. “Fazer parte do Congado, realizar as festas, estar presente em cada celebração é uma alegria muito grande. É a minha fé, é a minha história. Enquanto Nossa Senhora me der força e saúde, vou continuar cantando e dançando”, afirmou, demonstrando um profundo compromisso com a cultura e a continuidade desse legado que ecoa por gerações.
Um Legado de Resistência e Devoção
Em Miguel Burnier, a fé se expressa através de danças, cantos, ritmos e, principalmente, uma renovação constante a cada passo dos congadeiros. A tradição, herdada das matrizes culturais afro-brasileiras, não apenas resiste, mas também se reinventa, simbolizando a resistência, a devoção e a identidade daquela comunidade. Apesar dos desafios enfrentados, o grupo se mantém firme, sustentado pela força da comunidade e pelo respeito à ancestralidade.
Reconhecimento Cultural em Minas Gerais
Em 2024, o Conselho Estadual do Patrimônio de Minas Gerais inscreveu os Caminhos, Expressões e Celebrações do Rosário nos registros das Celebrações e das Formas de Expressão do patrimônio cultural imaterial mineiro. Essas festividades, conhecidas como Congados ou festas dos Reinados, são organizadas por grupos de devotos que se reúnem em ternos e guardas, incluindo capitãs, capitães, tocadores e dançadores, que entoam canções seculares em louvor a santos de devoção do catolicismo negro.
Conforme informações da Federação dos Congados do Estado, Minas Gerais abriga a maior concentração de congadeiros do Brasil, preservando uma tradição que remonta ao século XVIII.
Sobre a Adop e a Gerdau
A Agência de Desenvolvimento Econômico e Social de Ouro Preto (Adop) é uma organização sem fins lucrativos, criada a partir de uma colaboração entre empresas locais, o poder público e a sociedade civil, com o objetivo de fomentar o desenvolvimento econômico da região. Desde 2005, a Adop exerce um papel fundamental na comunidade, promovendo programas que apoiam a diversificação econômica.
Por outro lado, a Gerdau, com uma trajetória de 125 anos, é reconhecida como a maior produtora de aço do Brasil. A companhia, que emprega 30 mil colaboradores em suas operações na América Latina, tem se destacado em sua abordagem sustentável, reciclado cerca de 10 milhões de toneladas de sucata anualmente para a produção de aço com menor impacto ambiental.
