Desdobramentos da CPI do INSS em Minas Gerais
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS em Minas Gerais trouxe à tona uma série de informações que podem desgastar as candidaturas ao governo e ao Senado em 2024. Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não perderam tempo e ironizaram o deputado federal Eduardo Bolsonaro após a determinação da Polícia Federal (PF) para que ele retornasse ao cargo de escrivão, revelando uma conexão inesperada entre política e operações investigativas.
O deputado Cleitinho, que é aliado de Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), viu seu nome surgir em depoimentos na CPI, onde foi mencionado devido a suas ligações com ex-funcionários do INSS e com entidades acusadas de fraudes. Ambos os políticos estavam articulando uma chapa para as eleições, com Cleitinho almejando o governo e Euclydes buscando uma vaga no Senado. No entanto, a menção de Euclydes na CPI levou a uma operação da PF em novembro, que investiga possíveis irregularidades, incluindo repasses de emendas parlamentares e a venda de aeronaves a indivíduos relacionados a essas entidades.
Um dos pontos altos da investigação é o avião Cessna que Euclydes possuía, vendido por R$ 400 mil em fevereiro de 2023 para Vinícius Ramos, dirigente de uma ONG, o Instituto Terra e Trabalho. O mesmo instituto recebeu da parte do deputado R$ 2,5 milhões em emendas. Essa aeronave, embora vendida oficialmente, foi utilizada por pessoas ligadas à Conafer, entidade que está sob investigação por suas atividades questionáveis.
Conexões e Indicações em Questionamento
Tendo em vista essa complexa teia de relacionamentos, O GLOBO investigou mais a fundo e descobriu que Euclydes e Cleitinho mantinham relações com Rômulo Gonçalves Júnior, médico que, segundo Euclydes, seria o verdadeiro proprietário do Cessna. Em setembro de 2023, Rômulo esteve no Congresso buscando apoio para o Hospital Samaritano de Governador Valadares (MG), onde ele exerce um papel de liderança. Registros nas redes sociais mostram que Cleitinho alocou R$ 3,5 milhões para o hospital em 2024, enquanto Euclydes contribuiu com R$ 5,8 milhões.
Após um encontro que parecia promissor, Euclydes agradeceu a Rômulo pela visita, reforçando a relação entre os dois e suas intenções de atender às necessidades do hospital. No entanto, Euclydes defende sua posição, alegando ter vendido o Cessna para Rômulo em 2021 e não para Vinícius, desmentindo qualquer ligação com as investigações da CPI.
Os Efeitos das Investigigações na Política Estadual
Os desdobramentos da CPI e os depoimentos que surgem dela têm o potencial de ferir candidaturas em Minas. Zema, governador do estado, foi convocado para prestar esclarecimentos à CPI devido a uma empresa de sua família que oferece crédito consignado para aposentados. A comissão está apurando se houve descontos indevidos, uma acusação que Zema nega com veemência.
A convocação do governador foi aprovada por acordo com a bancada do PT, que se opõe à administração de Zema, e a CPI busca manter uma relação amigável com ele, apesar da situação delicada. Esse exercício de diplomacia é crucial, especialmente considerando que a CPI tem impulsionado a imagem do senador Viana, que busca se reeleger após um desempenho fraco nas eleições passadas.
Viana, que tentou atingir o governo em 2022, tem agora a chance de se reestruturar politicamente, articulando uma possível chapa com Cleitinho, o que pode levar à candidatura de Cleitinho ao governo. Entretanto, esse movimento poderia prejudicar as aspirações de Euclydes ao Senado, um dos focos da CPI.
Assim, a CPI do INSS não apenas investiga fraudes, mas também molda o cenário político do estado, trazendo à tona uma rede complexa de relações e interesses que poderá ter repercussões significativas nas eleições de 2024.
