Investigações sobre o Banco Master e Crime Organizado
BRASÍLIA – As Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) do INSS e do Crime Organizado retomam suas atividades na próxima semana, após o feriado de Carnaval. Em pauta, uma série de requerimentos e depoimentos relacionados ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), confirmou que o depoimento de Vorcaro está agendado para o dia 26 de fevereiro. A comissão busca esclarecer questões sobre os empréstimos consignados que foram oferecidos pelo Banco Master a aposentados e pensionistas.
Além disso, Vorcaro deverá comparecer à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado no dia 24 de fevereiro. O presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL), revelou que já conversou com o empresário em diversas ocasiões nos últimos dias, enfatizando que o interesse dele em comparecer é evidente. “Falei com ele pelo menos três vezes nos últimos dias. É interesse dele querer comparecer”, declarou Renan ao jornal O TEMPO Brasília.
No contexto das investigações, Carlos Viana revelou que solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, a devolução de todos os documentos que envolvem quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico de Vorcaro. “Esses elementos são essenciais para a continuidade dos trabalhos da CPMI e para a consolidação das provas já coletadas”, ressaltou o senador, destacando também a importância de um relatório final responsável.
O STF, sob a relatoria de Mendonça, assumiu o caso relacionado ao Banco Master, depois que o ministro Dias Toffoli se afastou do cargo. A mudança ocorreu após a Polícia Federal encontrar referências ao nome de Toffoli no celular de Vorcaro.
Viana também anunciou uma reunião programada com o ministro André Mendonça, que ocorrerá após o Carnaval, para discutir a importância da colaboração entre os Poderes Legislativo e Judiciário para que a CPMI possa cumprir sua missão adequadamente.
Convocações de testemunhas na CPI do Crime Organizado
Na quarta-feira, 25 de fevereiro, a CPI do Crime Organizado deverá votar requerimentos para convocar Daniel Vorcaro e outras figuras ligadas ao Banco Master, incluindo:
- Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio do Banco Master;
- Alberto Félix de Oliveira Neto, superintendente-executivo de Tesouraria;
- Luiz Antônio Bull, ex-diretor de Riscos, Compliance, Recursos Humanos, Operações e Tecnologia;
- Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master.
Os pedidos são de autoria dos senadores Eduardo Girão e Marcos do Val (Podemos-ES), que relatam que a Operação Carbono Oculto, coordenada pelo Ministério Público de São Paulo, identificou que estruturas financeiras ligadas a Vorcaro e seus associados teriam sido utilizadas para lavagem de dinheiro pela facção criminosa conhecida como PCC. Isso teria ocorrido através de empresas de fachada, contratos fictícios e triangulações com operadores da Faria Lima, incluindo transações que envolvem o Clube Atlético-MG.
“O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, detém 20,2% das ações da SAF do Atlético Mineiro. Essa participação foi adquirida por meio do FIP Galo Forte, com aproximadamente R$ 300 milhões investidos entre 2023 e 2024. A origem desses recursos já está sob investigação do Ministério Público de São Paulo, no âmbito da operação Carbono Oculto”, explica Marcos do Val em seu requerimento.
Outros requerimentos também pedem a convocação da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, além de irmãos de Dias Toffoli, José Eugênio e José Carlos, que são sócios do ministro em uma empresa que vendeu a fundos ligados ao Banco Master a participação em um resort no Paraná.
Entre as convocações, estão também os ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa.
