Aumento Significativo do Consumo de Álcool entre Mulheres
A vulnerabilidade das mulheres a doenças é um tema amplamente discutido, e novos dados reforçam essa realidade, particularmente no que se refere ao uso de álcool. Um estudo recente revela que, nas últimas décadas, o impacto do álcool na saúde feminina tem se intensificado. Os efeitos nocivos do consumo de bebidas alcoólicas são mais pronunciados nas mulheres do que nos homens, resultando em um aumento alarmante nas taxas de internação e mortalidade entre elas.
De acordo com informações do Vigitel, entre 2006 e 2024, o consumo abusivo de álcool por mulheres no Brasil disparou de 9,2% para 15,7%. Essa tendência é global, mas os dados do Brasil apresentam um crescimento preocupante, levantando questões entre os profissionais de saúde sobre como abordar essa questão de saúde pública.
Mortes e internações: um cenário preocupante
Estatísticas do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) mostram que, entre 2013 e 2023, as mortes atribuídas ao álcool entre mulheres aumentaram em impressionantes 20%. Além disso, as internações por condições relacionadas ao consumo de álcool cresceram em 41%, conforme dados do Datasus. Este aumento é ainda mais alarmante quando comparado ao crescimento registrado entre os homens, que, embora igualmente preocupante, é significativamente menor.
A psiquiatra Natalia Haddad, presidente do CISA, alerta que discutir o impacto do álcool na saúde das mulheres não é uma questão de moralismo, mas sim de saúde pública. Segundo ela, o corpo feminino apresenta uma vulnerabilidade biológica maior: mulheres têm menos água corporal e menos enzimas responsáveis pela metabolização do álcool. Isso resulta em um desenvolvimento precoce de problemas relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas, mesmo com uma menor quantidade de ingestão.
Desconhecimento e Resistência
Uma pesquisa realizada em 2023 pelo Ipec2, encomendada pelo CISA, revelou que tanto homens quanto mulheres na faixa etária de 18 a 34 anos desconhecem a maior vulnerabilidade fisiológica das mulheres ao álcool, demonstrando uma resistência em aceitar essa realidade. O consumo de álcool impacta a saúde feminina ao longo de diversas fases da vida, afetando o ciclo menstrual e a ovulação, além de reduzir as chances de concepção. O uso de álcool também pode trazer consequências severas para a saúde do feto durante a gestação.
Na fase perimenopáusica e na menopausa, o consumo de álcool pode amplificar sintomas como ondas de calor, sudorese noturna, alterações de humor, insônia e desajustes hormonais. A psiquiatra destaca que o uso de álcool, especialmente após a menopausa, pode prejudicar a absorção de cálcio, aumentar a pressão arterial, interferir no metabolismo hormonal e acelerar a progressão de doenças relacionadas aos hormônios.
Riscos à Saúde e Câncer de Mama
O uso de álcool entre mulheres está também ligado a um aumento do risco de doenças hepáticas graves, problemas cardiovasculares e transtornos mentais, como depressão e ansiedade. Mais preocupante ainda é a conexão entre o consumo de álcool e o câncer de mama. Estudos científicos indicam que para cada 10 gramas de álcool consumidas por dia, há um aumento de cerca de 7% no risco de desenvolver câncer de mama. Mesmo o consumo considerado de baixo risco (1 a 2 doses por dia) pode elevar esse risco em 30 a 50%.
Com esse cenário, é crucial que as mulheres se informem sobre os riscos associados ao uso de álcool e busquem apoio se necessário. A conscientização é um passo fundamental para promover mudanças na saúde das mulheres e minimizar os impactos deste problema de saúde pública.
*Isabela Teixeira da Costa/Interina*
