Desempenho da Indústria no Pará
A produção industrial do Pará apresentou um crescimento significativo de 8,6% entre dezembro de 2025 e janeiro de 2024, conforme um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse resultado coloca o estado em uma posição de destaque, superando gigantes como São Paulo, que teve um crescimento de 3,5%, Minas Gerais com 3,2% e Bahia com 3,0%. Para Alex Carvalho, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), o forte desempenho da indústria de transformação é o principal motor desse crescimento.
Conforme Carvalho, diversos segmentos estratégicos contribuíram para elevar esse percentual. Entre eles, a fabricação de bebidas que cresceu 12,9%, a celulose e papel com 12,8%, produtos alimentícios que aumentaram 9,3% e a metalurgia com 9%. Embora tenha havido um leve recuo de 0,1% no extrativismo, a expansão na transformação industrial sinaliza um maior equilíbrio na base produtiva do estado.
Setores em Destaque e Visibilidade Internacional
“Os segmentos de alimentos, bebidas e metalurgia têm uma presença marcante na estrutura industrial do Pará e foram cruciais para impulsionar a atividade econômica logo no início do ano. Além disso, uma análise qualitativa dos dados mostra que essas cadeias têm demonstrado um crescimento consistente desde 2025, o que reforça sua importância na dinâmica industrial paraense”, explica Carvalho.
Outro ponto a ser destacado na análise preliminar do IBGE é o aumento da visibilidade internacional dos produtos amazônicos, especialmente em virtude das discussões globais sobre sustentabilidade. Um exemplo claro disso foi a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), realizada em Belém, que colocou a Amazônia em evidência.
“Um claro indicativo dessa visibilidade é o recente crescimento das exportações de sucos e derivados de frutas, que mostraram um aumento expressivo na balança comercial entre dezembro e janeiro. Isso pode sugerir uma maior demanda externa pelos produtos da região. Além disso, os resultados refletem um dinamismo crescente da indústria paraense que vai além da mineração, um setor tradicionalmente predominante na economia local”, analisa Carvalho.
Análise Anual e Cenário Nacional
Ao considerar a evolução anual, entre janeiro de 2025 e janeiro de 2024, o crescimento da indústria paraense foi mais moderado, com um avanço de apenas 0,5%. Nos últimos 12 meses, a taxa acumulada foi de 0,7%. “Esses números indicam uma trajetória de estabilidade, com um viés positivo, sendo sustentada principalmente pelas cadeias de alimentos, bebidas, papel e metalurgia, que vêm se consolidando como essenciais para o desempenho industrial do estado”, destaca o presidente da Fiepa.
O IBGE também revelou que outros estados apresentaram uma trajetória inversa, com desaceleração na produção industrial. O Rio Grande do Norte e a Bahia destacaram-se negativamente, com quedas de 24,9% e 10,3%, respectivamente. No caso do Rio Grande do Norte, a retração foi fortemente influenciada pela diminuição das atividades de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis. Na Bahia, além deste setor, também impactaram negativamente as atividades relacionadas a máquinas, aparelhos e materiais elétricos.
Desempenho Regional e Contexto Nacional
Outras unidades da federação também apresentaram retração no índice mensal de janeiro. O Ceará registrou uma queda de 7,5%, o Amazonas com 6,8%, Santa Catarina e Rio Grande do Sul ambas com -6,5%, Goiás com -4,4% e São Paulo com -1,5%. Na análise regional, o Nordeste também registrou um resultado negativo, com uma diminuição de 0,4% nesse período.
