Abertura de Padarias em Minas Gerais
Entre janeiro e novembro de 2025, Minas Gerais observou um aumento significativo de 59% na abertura de padarias e panificadoras em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse crescimento representa a criação de 2.438 novos empreendimentos, segundo dados do Sebrae Minas. Em um balanço mais amplo, o Estado registrou a abertura de mais de 6 mil empresas, enquanto aproximadamente 3,6 mil encerraram suas atividades.
Embora o aumento no número de panificadoras seja um indicativo positivo para o setor, Vinícius Dantas, vice-presidente da Associação Mineira da Indústria da Panificação (Amipão), projeta que o setor pode encerrar 2025 com um crescimento entre 8% e 12%. Essa variação depende de fatores como o porte da empresa e a localização. No entanto, Dantas ressalta que a performance poderia ser ainda melhor se não fosse a persistente escassez de mão de obra, um problema já identificado em 2024.
Desafios e Inovações no Setor
“A falta de mão de obra tem sido um entrave significativo para o nosso crescimento. Muitas empresas se viram obrigadas a focar apenas na execução de serviços básicos, limitando a criatividade e a inovação”, afirma Dantas. Para enfrentar essa dificuldade, muitos empresários têm investido em tecnologia, buscando aumentar sua produtividade e eficiência.
Outra questão debatida por Dantas em Brasília foi a proposta de redução da jornada de trabalho, defendida por alguns parlamentares, incluindo a deputada federal Érika Hilton (Psol-SP). “A redução da carga horária é problemática, especialmente em um cenário em que já enfrentamos escassez de mão de obra. Isso poderá dificultar ainda mais a geração de postos de trabalho”, alerta. Dantas enfatiza a necessidade de apoio do governo em forma de incentivos para a aquisição de novas tecnologias. “Precisamos que o governo federal nos ajude a obter financiamentos para comprar equipamentos tecnológicos que possam compensar a falta de mão de obra”, sugere.
Estratégias para Aumentar a Produtividade
Diante da escassez de força de trabalho, o vice-presidente da Amipão indica que a produção deve se concentrar em itens com maior demanda, como folhados e salgados especiais, priorizando qualidade e técnicas mais apuradas. “Estamos buscando facilitar o processo produtivo, focando em produtos que realmente têm saída no mercado”, declara.
Expectativas Econômicas para 2026
Apesar do desempenho positivo, Dantas expressa preocupação sobre o futuro do setor, especialmente devido ao ambiente político. “O próximo ano será eleitoral, e as decisões que surgirem no Congresso Nacional podem impactar diretamente nossa performance em 2026”, aponta. Ele conclui que o compromisso dos empresários em se esforçar para garantir um bom ano será fundamental, independentemente das incertezas políticas. “Vamos acompanhar como o Congresso se comportará e quais propostas serão implementadas, mas é essencial que todos nós trabalhemos juntos para superar os desafios”, finaliza.
