Single ‘Dalí’ e Sua Abordagem Artística
Desde o lançamento do álbum “Imprevisto”, em 2023, da dupla Cris Vaz e Henrique Cabral, a expectativa por novas produções só aumentou. O trabalho foi elogiado por críticos renomados, como Jorge LZ e A Casa de Vidro, que o classificaram entre os melhores do ano. Agora, a música ‘Dalí’ surge como uma continuidade desse projeto, aguardada com ansiedade desde a estreia do álbum. Em dezembro de 2025, o selo Grão Pixel apresentou ‘Dalí’, que se junta a “Amor Imprevisto” e “Algodão”, com a colaboração de Paulo Santos, do Uakti. Este single é a terceira faixa da dupla antes do lançamento do aguardado “Imprevisto Vol. II”.
Com a voz e letra de Cris Vaz, a canção também conta com a harmonia e arranjos de Henrique Cabral. A gravação ficou a cargo de Leonardo Marques, no Estúdio Ilha do Corvo, e a dramaturgia vocal foi elaborada por Francesca Della Monica. A direção artística, o conceito visual e a capa são assinados pela artista plástica Niura Bellavinha, com fotografias e montagens de Sara Não Tem Nome.
Reflexões Poéticas e Sociais na Música
A letra de “Amor Imprevisto” é um exemplo da sensibilidade que permeia o trabalho da dupla, com versos que falam sobre o amor como uma força vital: “É o amor que leva a cantar, não pede licença, tão necessário quanto o sol”. A profundidade das letras evidencia um mergulho na sensibilidade, ampliando a intensidade do universo sonoro da dupla. Por sua vez, “Algodão” é uma homenagem às mulheres do Vale do Jequitinhonha, reforçando o compromisso da dupla com a arte engajada e a reflexão social.
Acompanhando esse trabalho criativo, o poeta e ensaísta paulista Marcelo Ariel expressou sua visão sobre ‘Dalí’. Ele descreve a canção como “cinematográfica e polifônica”, sugerindo que a polifonia poderia ser o caminho ideal para a contemporaneidade, caso a sociedade se permitisse abrir-se para novas perspectivas. Ariel acrescenta que política e economia são, de fato, prolongamentos do conflito humano, e a arte deve ser um espaço de questionamento e transformação.
A Arte como Reflexo da Sociedade
O questionamento central que ‘Dalí’ provoca é se a história humana poderia ser mais bem definida pelos feitos artísticos do que pelos eventos políticos, que muitas vezes se conectam à guerra. A canção oferece uma viagem imagética e elíptica, onde a tragédia se entrelaça com a estética, propondo uma visão mais complexa e espiral da história. O conto ‘Bontshe o Silencioso’, de Isaac Leib Peretz, é referenciado, trazendo à tona a luta pela sobrevivência em meio a adversidades.
“Dalí” também se apresenta como uma topologia sonora, onde a harmonia das frases se alinha com o ritmo, evocando imagens da luta e resistência. O piano, por exemplo, remete aos passos da multidão, e referências artísticas como Guignard e Aleijadinho são relembradas, estabelecendo um diálogo entre o passado e o presente. A música, segundo a banda, é a única redenção possível, conectando-se à essência de Salvador Dalí, que encontrou beleza em formas inesperadas.
Conectando História e Arte em Uma Nova Perspectiva
Com “Dalí”, a banda Imprevisto se destaca ao entrelaçar a história da arte com as demandas contemporâneas urgentes, provando que a transformação e a revolta têm espaço em uma canção. Ao criar um manifesto político-onírico, a dupla convida o público a refletir sobre a intersecção entre arte e sociedade. Este novo single é, sem dúvida, uma peça significativa na trajetória da dupla e uma chamada à reflexão sobre o papel da arte em tempos de mudanças.
Para acompanhar mais sobre os trabalhos de Cris Vaz e Henrique Cabral, vale a pena conferir o link da banda (https://linktr.ee/_imprevisto).
