Delcy Rodríguez Assume a Presidência Interina da Venezuela
A decisão de manter Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela foi tomada pelo Tribunal Supremo de Justiça do país. Esta escolha ocorreu logo após a remoção de Nicolás Maduro do poder, uma ação apoiada pelos Estados Unidos. O Supremo afirmou que a nova presidente interina assume o cargo com o objetivo de “garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”.
Além da deliberação do Supremo, as Forças Armadas venezuelanas também reconheceram, em um pronunciamento feito pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino, a permanência de Rodríguez na liderança pelo período de 90 dias. O apoio dos militares é significativo para estabilizar sua posição em um momento de incerteza política.
De acordo com a Constituição da Venezuela, quando o chefe de Estado é removido, cabe ao vice-presidente assumir interinamente a presidência. Assim, Delcy, que já ocupava a vice-presidência, assume um papel crucial nesse cenário tumultuado.
Em sua declaração inicial após a substituição de Maduro, Delcy Rodríguez pediu paciência à população e enfatizou que a Venezuela “nunca será colônia de nenhuma nação”, referindo-se à situação como um “sequestro” promovido pelos Estados Unidos.
Com 55 anos de idade, Delcy Rodríguez é advogada e atuou em diversos cargos no governo desde 2003, durante o governo de Hugo Chávez. Seu perfil combativo e presença constante em momentos de tensão política consolidaram sua imagem como uma figura central do chavismo.
Reações e Consequências Internacionais
Neste último domingo (4), o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, alertou em entrevista à revista The Atlantic que Delcy Rodríguez enfrentará um “preço muito alto” caso não colabore com os Estados Unidos. Trump afirmou que as consequências para Rodríguez podem ser ainda mais severas do que as enfrentadas por Maduro. “Se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro”, declarou.
Informações do jornal The New York Times indicam que, semanas antes da operação que resultou na captura de Maduro, autoridades americanas consideravam o nome de Delcy Rodríguez como uma alternativa viável para a liderança interina, ao menos temporariamente.
Trajetória de Delcy Rodríguez no Chavismo
Delcy Eloína Rodríguez Gómez, nascida em Caracas em 18 de maio de 1969, é filha de Jorge Antonio Rodríguez, um dos fundadores da Liga Socialista, partido marxista que teve um trágico fim sob custódia policial em 1976. Ela é irmã de Jorge Rodríguez Gómez, ex-vice-presidente e figura proeminente do regime chavista.
Formada em Direito na Universidade Central da Venezuela, Delcy se especializou em direito do trabalho e teve uma carreira acadêmica como professora universitária. Desde 2003, ela se destacou em diversos papéis no governo, principalmente em áreas relacionadas à política interna e à diplomacia.
Entre as responsabilidades que acumulou, destacam-se:
- Vice-ministra para Assuntos Europeus (2005);
- Ministra de Assuntos Presidenciais (2006);
- Ministra da Comunicação e Informação (2013-2014);
- Ministra das Relações Exteriores (2014-2017);
- Presidente da Assembleia Nacional Constituinte (2017-2018);
- Vice-presidente executiva da Venezuela (desde 2018);
- Ministra do Petróleo e da Economia (2024-2025).
Rodríguez também é integrante do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e já liderou o movimento Somos Venezuela, que foi criado como um braço político e social do governo em 2018. Ao longo de sua trajetória, ela se consolidou como uma das vozes mais firmes do chavismo contra pressões externas.
Desde 2018, Delcy tem sido alvo de sanções internacionais, incluindo restrições de entrada e congelamento de ativos por diversos países, como os Estados Unidos, a União Europeia, o Canadá, o México e a Suíça. Essas sanções são justificadas por acusações de corrupção e de violações dos direitos humanos.
A situação política da Venezuela continua volátil, e Delcy Rodríguez, com seu histórico de declarações contundentes e apoio militar, se posiciona como a principal representante do chavismo em meio a uma crise que ameaça seu governo e a soberania do país.
