Dificuldades e Estratégias nas Alianças Estaduais
A corrida eleitoral começa a ganhar forma, mas as alianças em algumas regiões já mostram ser um verdadeiro nó a ser desfeito. Desde a imposição de candidatos, muitas vezes sem vínculo histórico com os estados, até a desistência de presidenciáveis, o cenário está repleto de reviravoltas. Há candidatos que parecem ‘cair de paraquedas’ em disputas onde nem sequer têm trajetória política, enquanto figuras com autoridade eleitoral tentam se manter relevantes nas disputas locais.
Um exemplo claro desse imbróglio é Santa Catarina. O PL lançou Carlos Bolsonaro, que construiu sua carreira política no Rio de Janeiro, para concorrer no estado catarinense, acompanhado por Caroline de Toni ao Senado. Essa estratégia alterou um pacto previamente acordado com outras siglas, que previa a reeleição do respeitado senador Esperidião Amin, uma figura de destaque no Congresso nacional.
Integrantes de partidos como o PP, que falaram sob condição de anonimato, expressaram descontentamento com a maneira como o processo foi conduzido, evidenciando um enfraquecimento dos acordos que tinham sido alinhados anteriormente. Amin, reconhecido por sua capacidade de atrair votos, foi colocado de lado. Para Valdemar Costa Neto, presidente do PL, as críticas dos líderes locais não impactam sua decisão. Ele rebateu os comentários do ex-senador Leonel Pavan, que chamou a situação de “loucura”, tentando mostrar que Carlos Bolsonaro mantém laços com Santa Catarina.
“Ele sempre esteve por aqui, tem amigos e deseja contribuir para o estado”, afirmou. Valdemar garante que a mudança de domicílio eleitoral de Carlos não foi uma estratégia, mas a resistência em convencer os aliados de Amin, que esperava apoio de Flávio Bolsonaro, é um entrave significativo.
Emaranhados no Paraná e Rio Grande do Sul
No Paraná, a situação não é diferente. Ratinho Junior optou por se retirar da corrida presidencial para barrar o avanço de Sergio Moro rumo ao Palácio Iguaçu. Ele optou por lançar a jornalista Cristina Graeml, uma bolsonarista filiada ao União Brasil, na disputa ao Senado. Contudo, Moro se inclina a apoiar Deltan Dallagnol, também do União Brasil, complicando ainda mais o cenário.
Flávio Bolsonaro já declarou apoio a Moro, que recentemente recebeu Dallagnol em sua cerimônia de filiação ao PL. Ao mesmo tempo, a bolsonarista Cristina carece de um apoio mais robusto, uma vez que, nos bastidores, se comenta que sua candidatura não se tornaria competitiva apenas com o suporte de Ratinho.
No Rio Grande do Sul, as dificuldades também estão em evidência, especialmente entre alas do próprio PT. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a direção nacional defendem um acordo com o PDT para apoiar Juliana Brizola na corrida ao Palácio Piratini. Lula recebeu Juliana no Planalto, junto com Carlos Lupi, presidente do PDT, que confirmou a candidatura em redes sociais. No entanto, essa declaração foi rapidamente desmentida pelos petistas, que mantêm a candidatura de Edegar Pretto, presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Pesquisas recentes indicam que Juliana está à frente de Pretto nas intenções de voto, que já se prepara para enfrentar o pré-candidato Luciano Zucco, do PL-RS.
Impactos nas Estratégias Partidárias e Conflitos Internos
A saída do governador do Paraná trouxe desafios para Gilberto Kassab, presidente do PSD, que viu suas opções reduzidas. Ele tinha a intenção de se alinhar à vice de Tarcísio de Freitas para a reeleição, mas a filiação do vice-governador Felício Ramuth ao MDB complicou seus planos. Ramuth deseja continuar como vice e isso atrelou o partido aos projetos de Tarcísio e do prefeito paulistano Ricardo Barros, que buscam apoiar Flávio Bolsonaro em São Paulo.
Com o MDB em sintonia com o bolsonarismo, os planos de Lula de contar com um emedebista como vice se tornaram ainda mais complicados, o que já gerou descontentamento em Geraldo Alckmin e no PSB, que esperavam reparações pela lealdade. As condições estão se ajustando: Alckmin deverá deixar seu cargo até a próxima quinta-feira, concentrando-se exclusivamente na campanha de Lula. A ministra Simone Tebet também se filiou aos socialistas na expectativa de concorrer ao Senado na chapa de Fernando Haddad.
Entretanto, Márcio França, atual ministro do Empreendedorismo, tem sua própria ambição de concorrer ao Senado, o que pode ser um entrave em meio a essas mudanças. Em outros estados, Lula já começa a vislumbrar alternativas, como a reeleição de Elmano de Freitas no Ceará, que, segundo as pesquisas, enfrenta forte concorrência do ex-governador Ciro Gomes. Em Pernambuco, o petista conta com o apoio tanto do prefeito João Campos, quanto da governadora Raquel Lyra.
Em Minas Gerais, a chapa de Lula pode contar com o senador Rodrigo Pacheco, que está em negociações para se filiar ao PSB, enquanto no Maranhão, um recente desentendimento dentro do partido complicou a formação da chapa.
Os desafios enfrentados por Lula na construção de alianças políticas estão interligados a uma complexidade que envolverá negociações contínuas e, certamente, muitas reviravoltas nas próximas etapas eleitorais.
