Desafios da Polarização Política na Publicidade
No cenário atual de polarização política, o publicitário Nelson Vilalva, CEO da nova/sb, compartilha suas reflexões sobre o posicionamento das marcas. Em entrevista à coluna, ele destacou que sua agência é uma das três responsáveis pela propaganda do governo federal. Neste ano, a nova/sb lançou um núcleo voltado para a integridade da informação, com o objetivo de combater a desinformação que prolifera nas redes sociais.
Vilalva enfatiza que, em sua visão, marcas como as Havaianas não buscaram se aproveitar da polarização. “Quem não deseja começar o ano com grandes realizações? Contudo, em um contexto adoecido por influenciadores e polarizações extremas, as bolhas sociais tendem a se agarrar a qualquer tema que possa ser distorcido, exacerbado e que garanta visualizações e engajamento”, apontou.
Apesar da ausência de intenção, a discussão se tornou inevitável. O publicitário analisou que o episódio evidencia como mensagens podem ser rapidamente reinterpretadas em um ambiente marcado pela polarização. Para ele, as marcas enfrentam um dilema: flutuar sobre esse universo conturbado ou optar por “uma direção específica e se dedicar a ela, mesmo que isso signifique restringir seu mercado.”
O Impacto da Polarização nas Decisões das Marcas
Vilalva argumenta que é essencial que marcas e agências estejam cientes do clima polarizado ao tomar decisões. À medida que se aproximam as eleições, a polarização deve se intensificar, aliada ao crescimento do uso de inteligência artificial e à disseminação de informações falsas. Nas últimas semanas, produtores de conteúdo têm criado vídeos nas redes sociais, como Instagram, que ilustram como é fácil enganar o público com falas e imagens manipuladas.
O publicitário também menciona duas crises recentes enfrentadas pelo governo envolvendo campanhas de fake news. “O recente caso da tributação sobre transferências bancárias é uma reedição quase idêntica à fake news sobre o Pix, ocorrida no ano passado”, lamentou. Vilalva também criticou a lentidão da resposta do Congresso a esses desafios.
Ele destaca que a inteligência artificial e as fake news caminham lado a lado, enquanto a legislação frequentemente fica para trás em relação às inovações tecnológicas. “Estamos presenciando, por exemplo, a regulamentação das redes sociais, que avança a passos lentos”, observou.
Reflexões Finais sobre a Comunicação em Tempos de Crise
A reflexão de Vilalva é um convite à análise crítica sobre como as marcas devem se posicionar em um ambiente marcado pela polarização. A necessidade de uma comunicação assertiva e responsável nunca foi tão urgente. À medida que as eleições se aproximam, será crucial que as marcas considerem não apenas a mensagem que desejam transmitir, mas também como ela pode ser interpretada em um contexto onde a desinformação e a polarização predominam.
Além disso, a responsabilidade das agências de publicidade se torna ainda mais relevante, pois são elas que moldam a narrativa que impacta a opinião pública. A forma como as marcas escolhem se posicionar pode não apenas influenciar suas vendas, mas também impactar a percepção social sobre temas cruciais em um momento de grande divisão.
